10 janeiro, 2007

NOSTALGIA - Aberturas de série Clássicas

Para os fãs as aberturas de séries antigas são verdadeiras odes da nostalgia. As lembranças da infância, dos heróis e nenhuma preocupação a não ser tentar saber como o mocinho ia escapar da situação de risco imposto pelo
vilão.
Vale a pena rever:
- TERRA DE GIGANTES



- MISSÃO IMPOSSÍVEL



- BONANZA


Aguarde as próximas edições com mais aberturas.

Yes, nós não temos mais Braguinha


A música popular brasileira que há muitos anos é bombardeada por ritmos alienígenas, compositores medíocres e cantores picaretas, perdeu um dos seus maiores representantes. João de Barro, Braguinha, que faleceu no último dia 24 de dezembro, três meses antes de completar cem anos. Braguinha seria o primeiro compositor brasileiro a alcançar este feito, mas quis o destino que a história fosse diferente e na última hora mudou o roteiro. Na verdade Deus queria mesmo é que Braguinha fosse logo ficar com ele para que o compositor cantasse exclusivamente Touradas em Madri, As pastorinhas e até mesmo Copacabana e Mane Fogueteiro.

Uma das mais significativas canções do genial compositor Noel Rosa propala que “batuque é um privilégio, ninguém aprende samba no colégio”*, no entanto, no caso do então estudante Carlos Alberto Ferreira Braga a história foi bem diferente. Foi na época de colégio que o futuro João de Barro conheceu o músico Henrique Brito, que lhe ensinaria os primeiros acordes. Mais tarde ambos participariam, ainda como amadores, do grupo “Flor do Tempo”, assim chamado em homenagem à casa de um amigo do grupo que batizou a residência com este nome.

A família do jovem Braguinha não aceitava a idéia de alguém viver de música, pois achava que ficar por aí tocando violão era serviço de vagabundo. Mas o jovem fora fisgado definitivamente e por isso,para não contrariar os pais, adotou o pseudônimo João de Barro, nome pelo qual ficaria conhecido no meio musical, assim como Braguinha, pelos mais íntimos.

Ao lado dos amigos e parceiros Noel Rosa, Almirante e Henrique Brito, como profissionais, fundaram o Bando dos Tangarás. No entanto, o destino do compositor João de Barro era mesmo brilhar, mas brilhar em carreira solo com os primeiros sucessos do carnaval de 1933 como: Trem blindado (1932)

Meu bem pra me livrar da matraca/Da língua de uma sogra infernal/Eu comprei um trem blindado/Pra poder sair no carnaval (...)

Ou ainda Moreninha da praia (1932)

Moreninha querida/Da beira da praia/Que mora na areia/Todo o verão/Que anda sem meia em plena avenida/Varia como as ondas do teu coração/A tua ardência é o que me assombra/Tu tens quarenta graus à sombra (...)

Mesmo sem conhecimentos formais de música, compondo na base do assovio, Braguinha se transformou num campeão da folia, especializado em marchinhas como Linda lourinha, Uma andorinha não faz verão, Dama das Camélias, Balancê, que nos anos oitenta seria gravada por Gal Costa reeditando o sucesso, Pirata da perna de pau, Chiquita Bacana, marchinha que projetou a eterna Rainha do Rádio Emilinha Borba, e ainda Touradas em Madri, cantada por um Maracanã em festa na goleada do Brasil sobre a Espanha, na fatídica Copa de 1950.
Touradas em Madri (1938)

Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha/Queria que eu tocasse castanholas e pegasse touro à unha/Caramba, caracoles/Sou do samba, não amoles/Pro Brasil eu vou fugir.../Isso é conversa mole pra boi dormir!

Na década de 30, participou como diretor e roteiristas de filmes como Estudantes (1935), Alô, alô, carnaval (1936), Banana da terra (1938),e Laranja da China (1940), todos musicais precursores das chanchadas que misturariam números musicais com correria, humor, muita pancadaria e romance. João de Barro atuou também como diretor artístico da gravadora Continental onde projetou nomes como Radamés Gnattali, Tom Jobim, Dóris Monteiro, Nora Ney, Jorge Goulart, Jamelão, Lúcio Alves e Dick Farney.

Reza a lenda que Lúcio Alves, conhecido como “O cantor das mulditinhas”, recebeu este apelido por interpretar todo o repertório de Orlando Silva, “o cantor das multidões”, teria cantado pela primeira vez a hoje clássica e icônica Copacabana, parceria de Braguinha e Alberto Ribeiro, mas a primeira gravação ficou mesmo a cargo de Dick Farney, enquanto Lúcio excursionava pelos Estados Unidos. Copacabana se transformaria numa precursora da Bossa Nova, graças também a personalíssima interpretação de Dick Farney.

Copacabana (1946)

(...) Copacabana, princesinha do mar/Pelas manhãs, tu és a vida a cantar/E à tardinha, o sol poente/Deixa sempre uma saudade na gente (...)

Em 1937 Braguinha letrou um choro-canção composto por Pixinguinha e que receberia o título de Carinhoso, gravado por Orlando Silva, se tornaria um sucesso que é tocado até os dias de hoje. Carinhoso seria usado como tema de abertura da novela escrita por Laura César Muniz, realizada pela Rede Globo nos anos 70, com o mesmo título e protagonizada por Regina Duarte, Cláudio Marzzo e Marcos Paulo. A versão instrumental tocada na abertura teve arranjo e execução de Márcio Montarroyos.

João de Barro compôs em quase todos os ritmos, desde o samba-canção de inspiração rural, Mane Fogueteiro, sucesso na voz de Augusto Calheiros “a patativa do norte”; ao samba urbano modernista como o citado Copacabana e Laura ambos gravados por Dick Farney em 1946. Ele também arquitetou com delicadeza a mais impressionante coleção de discos infantis, aclimatando para o Brasil histórias da Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, além de recuperar inúmeras cantigas de roda. Quem conhece não troca jamais pelas repetitivas e alienantes canções entoadas pela “rainha dos baixinhos”, Xuxa.As letras e músicas compostas por Braguinha se ouvidas pelos pseudos compositores de músicas infantis de hoje, com certeza mudariam de profissão, caso tivessem vergonha na cara. Quem não recorda desses versos que embalaram a infância de muitas pessoas, como:

Canção do Chapeuzinho Vermelho (Pela estrada)

Pela estrada afora eu vou bem sozinha/Levando estes doces para a vovozinha/Ela mora tão longe, o caminho é deserto/E o Lobo Mau passeia aqui por perto (...)

Ou ainda Os caçadores (Chapeuzinho Vermelho)

Nós somos os caçadores/E nada nos amedronta/Damos muitos tiros por dia/Matamos feras sem conta (...)João de Barro foi embora na véspera de natal. Deixará muita saudade, mas suas marchinhas e sambas-canções são imortais. Braguinha influenciou não apenas a Bossa Nova como também inspirou os Tropicalistas com a sua Chiquita Bacana.

É triste dizer isto,mas infelizmente é a verdade – yes, nós não temos mais Braguinha!

Humberto Oliveira

*Feitio de oração, composiçaõ de Noel Rosa e Vadico

Homenagem a Jece Valadão
Com a morte em 27 de novembro do ator e diretor Jece Valadão, por incrível que pareça me veio à lembrança minha primeira emoção sentida com cinema ao vivo e a cores. Em 1976, quando eu ainda era muito jovem (onze anos) foram realizadas em Fortaleza as filmagens do longa-metragem O Homem de Papel (já exibido no Intercine Brasil e no Corujão), dirigido por Carlos Coimbra (Independência ou morte) e pelo cearense Ezaclir Aragão que também atua no filme (atua é força de expressão) e que trazia no elenco Milton Morais, Vera Gimenez e Jece Valadão.

Naquela tarde, meu tio Jairo me pegou em casa, sabendo que eu gostava de cinema, e me levou para assistir naquele dia as filmagens que seriam feitas ali perto. Não lembro se era sábado ou domingo, mas recordo muito bem da movimentação pouco antes das filmagens.Era uma cena de perseguição entre três carros, com direito a derrapagens, batidas e tiroteio. Claro que o público delirava ali nas proximidades da Avenida Duque de Caxias, naturalmente interditada para as filmagens.

Todos a postos. Ouvimos uma voz que grita “ação” e começa a perseguição. Um carro passa em alta velocidade, em seguida outro com onde um sujeito com metade do corpo fora da janela do carro e com uma arma na mão (não lembro se era uma pistola ou metralhadora, mas pela pobreza da produção mais parecia uma pistola de brinquedo).

Na multidão ouvimos apenas murmúrios. Alguém pede silêncio. E eu quase na ponta dos pés maravilhado com aquilo tudo e na época nem imaginava que com o advento do dvd poderíamos assistir os bastidores das grandes produções hollywoodianas e nacionais, ou seja, os famosos extras, tranquilamente no sofá de casa.
De repente a mesma voz grita “corta“. A equipe então agradece a colaboração de todos, desmonta rapidamente o equipamento e vai embora para outra parte da cidade para mais um take. A saída tão abrupta causa certa frustração no público e muitos comentam – “mas é só isso?”. Cinema é assim mesmo. Para mim foi o suficiente.

Quanto ao filme pronto eu só assistiria muitos anos depois. O Homem de Papel era proibido para menores de 18 anos por conter cenas de sexo e violência, hoje cenas tão banais até na televisão e o que é pior, no “horário nobre”. Pois é, e fiquei atento para ver aquela cena descrita acima durante a exibição do filme,mas acabei por constatar um grosseiro erro de continuidade.

Por fazer parte desta primeira imagem do cinema que guardo na memória, que este ALMANAQUE é dedicado a Jece Valadão “o maior cafajeste do cinema brasileiro”, mas no bom sentido.

COMO TUDO COMEÇOU...

Ele foi batizado Gecy Jece Valadão ao nascer na pequena Murunduí, Rio de Janeiro em 24 de julho de 1930. Aos nove anos a família se muda para Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo (onde nasceram também o cantor Roberto Carlos e o escritor Rubem Braga) e é ali que Jece inicia aos 18 anos sua carreira artística como locutor de rádio.

OS CAFAJESTES EM CENA

Em 1949 vai para o Rio de Janeiro onde começa sua carreira de ator no teatro e também no cinema numa participação no filme Carnaval no fogo. Jece faz pontas em vários filmes, mas a consagração acontece em 1952 com Os Cafajestes dirigido por Ruy Guerra. No elenco além de Jece Valadão que interpreta Jandir, um vigarista da Zona Sul carioca, Daniel Filho como o fotografo Vavá, Norma Bengell é Leda.
Jandir (Valadão) e o amigo Vavá (Daniel Filho) que é fotografo têm como passatempo levar garotas para passear de carro em praias desertas e tirar fotos delas nuas para posteriormente fazer chantagem. Seduzida por Jandir, Leda (Bengell) se torna vítima da dupla e acaba se aliando a eles e convencendo sua prima Vilma que cai no mesmo truque.

O filme é um clássico do chamado “Cinema Novo” claramente influenciado pela “Nouvelle Vague” francesa. A seqüência de Norma Bengell nua na praia, o primeiro nu frontal do nosso cinema, iluminada pelos faróis do Buick de Vavá, provocou escândalo e o filme teve problemas com a censura.

Os Cafajestes foi o primeiro trabalho realizado no Brasil pelo diretor Ruy Guerra, nascido em 1931 em Moçambique e com larga carreira cinematográfica. No Brasil dirigiu entre outros Os Fuzis (1963), A Queda (1976) mais recentemente Estorvo (1998) baseado no livro de Chico Buarque.

O filme ganhou inúmeros prêmios como o Saci de melhor diretor (Guerra), atriz (Norma), argumento (Miguel Torres) e composição (Luiz Bonfá) e ganhando também Menções honrosas em vários festivais e o prêmio Governador do Estado de São Paulo.

JECE VALADÃO NO TEATRO, CINEMA E TELEVISÃO

No teatro o ator participou de peças como A Mulher sem pecado encenada em 1957 (a peça escrita em 1941, sendo o primeiro texto teatral de Nelson Rodrigues que dois anos depois mudaria a história do teatro com o revolucionário Vestido de Noiva). Jece atuou também em duas peças de Pedro Bloch – Os inimigos não mandam flores (1958) e Procura-se uma rosa (1960).

Em 1964 estréia como diretor justamente com a versão cinematográfica de Procura-se uma rosa. Daí para frente passa a produzir e a dirigir seus próprios filmes através de sua produtora Magnus Filmes dirigindo principalmente filmes policiais, retratando o cotidiano dos subúrbios cariocas como nos longas-metragens O mau caráter de 1974 e A noite dos assassinos realizado dois anos depois.

Na televisão atuou em telenovelas como Transas e caretas (1984), Pantanal (1990), O Dono do mundo (1991) e em Anos Dourados (1986) minissérie de Gilberto Braga onde interpretava o pai do adolescente Urubu vivido pelo ator Taumaturgo Ferreira.

A VIDA COMO ELA É...

Jece Valadão também participou nos anos 1990 do programa A vida como ela é, adaptação dos contos de Nelson Rodrigues produzidos e dirigidos por Daniel Filho (parceiro de Jece no filme Os Cafajestes). Valadão atuou em dos melhores episódios, intitulado Casal de três onde interpreta o sogro do personagem vivido por Guilherme Fontes, casado com Malu Mader, que faz uma esposa megera e que acaba arranjando um amante (Marcos Palmeira). Em virtude disso ela passa a tratar o marido com muito carinho. Claro que ele estranha a mudança, e ainda recebe uma carta anônima e vai mais uma vez falar com o sogro que filosofa dizendo – “o marido não precisa ser o último a saber, ele não precisa saber nunca” – conformado com a situação o genro não reclama mais e passa a desfrutar de uma verdadeira lua de mel em casa, mas um dia a mulher chega em casa aos prantos, indaga sobre que acontecera, ela mostra o convite de um amigo do casal que vai casar, obviamente o seu amante. O marido indignado se arma e vai atrás do noivo, mas chegando lá simplesmente obriga o amigo a acabar o noivado e que dali em diante ele iria jantar na casa deles todas as noites. Assustado só resta fazer o que o amigo está mandando e surpreendemente o episódio termina com a esposa agradecida fazendo carícias antes inimagináveis no marido que sorri satisfeito.

A participação de Jece Valadão neste episódio é impecável. Para quem quiser conferir esta história e mais trinta e nove de A vida como ela é está disponível em dvd duplo.

FILHOS DO CARNAVAL

Jece Valadão protagonizou este ano o seriado Filhos do Carnaval produzido pelo canal pago HBO e com direção de Cao Hamburguer (Castelo Rá-Tim-Bum, o filme), Flávio Tambelli (Bufo e Spalanzani) entre outros e tendo ainda no elenco Enrique Diaz, Rodrigo dos Santos, Thogum, Felipe Camargo, Mariana Lima, Maria Manoella, Felipe Martins, Felipe Wagner.

A história da série gira em torno da família "Gebara", centrada no pai "Gebarão" protagonizado por Jece Valadão ator com mais de 100 filmes na carreira, também focado no conflito entre seus 4 filhos.
A família “Gebara” vive da contravenção tendo como atividade principal o "jogo do bicho" e também controla a escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, o enredo gira em torno da aposentadoria do pai que pretende passar o controle dos negócios a seu filho mais velho.

Filhos do Carnaval, série teve seis episódios onde Jece interpreta um bicheiro como somente ele sabia fazer. Agora com sua morte, é possível que os planos para uma segunda temporada fiquem comprometidos, pois a produção vai suar muito até encontrar outro ator para substituí-lo á altura. Quem sabe talvez Otávio Augusto que era amigo de Valadão?

CINEMA, A GRANDE PAIXÃO

Jece Valadão participou do Cinema Novo em seus primeiros tempos fazendo Rio Quarenta Graus, Rio Zona Norte o antológico O Boca de Ouro filme baseado em peça de Nelson Rodrigues e dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Em O Boca de Ouro, Jece Valadão interpreta um bicheiro que manda arrancar todos os dentes e coloca uma dentadura de ouro.

Valadão foi casado com uma das irmãs de Nelson Rodrigues, chamada Dulce e consequentemente, mesmo não sendo aceito pela família Rodrigues por acharem que o ator ao casar com Dulce estaria dando o golpe do baú, acabaria atuando em filmes adaptados de livros e peças do cunhado como Asfalto Selvagem dirigido por J. B. Tanko (mais tarde diretor de muitos filmes protagonizados pelos Os Trapalhões), a primeira versão de Bonitinha, mas ordinária dirigida por J. P. de Carvalho e ainda A Serpente realizado em 1992, baseado na última peça do dramaturgo morro em dezembro de 1980.

Mas Valadão atuou sob a direção de Glauber Rocha em A idade da terra, nos policias, Paraíba, vida e morte de um bandido, de Victor Lima, Mineirinho, vivo ou morto de Aurélio Teixeira e interpretou o cafetão Vado de Navalha na carne dirigido por Braz Chediak baseado em peça de Plínio Marcos e ainda Eu matei Lúcio Flávio de Antonio Calmon.

O eterno cafajeste marcou presença ainda nos filmes Tieta do Agreste (1996) dirigido por Cacá Diegues. Esta adaptação do romance de Jorge Amado, resultou apenas em veículo para o estrelismo de Sônia Braga e nada mais. No filme Jece Valadão interpreta comandante Dário (que na telenovela Tieta da Rede Globo foi interpretado por Flávio Galvão).

Outra produção dos anos noventa que participou foi a refilmagem do clássico do diretor Lima Barreto, O Cangaceiro (1953) desta vez dirigida sem muita inventividade, mas com violência explicita, por Aníbal Massaini Neto. Jece interpreta o chefe da volante que tenta prender o bando do Capitão Galdino, aqui vivido exageradamente pelo canastrão Paulo Gorgulho, interpretação que passou anos luz do original do ator Milton Ribeiro. No Cangaceiro original o papel do chefe da volante foi interpretado pelo próprio direto, Lima Barreto.

JECE VALADÃO ATRÁS E NA FRENTE DAS CÂMERAS

Como diretor realizou filmes em que interpretava o papel principal alternando papéis de justiceiro, policial ou bandido, usando sempre a máscara de cafajeste e do homem mau.

De sua filmografia como diretor destacamos Procura-se uma rosa (1965), A história de um crápula (1966), A Lei do Cão (1968), As sete faces de um cafajeste e Matador profissional, ambos de 1969, O Mau caráter (1974), Nós, os canalhas (1976) e A noite dos assassinos também realizado em 1976.

A atriz Vera Gimenez, ex-mulher de Jece estrelou alguns desses filmes acima e atuaram juntos também no filme O Homem de Papel, aquele que assisti as filmagens de uma cena. O filme foi produzido pelo empresário cearense Edson Queiroz (sogro do senador Tasso Jereissati). A trama do filme é tão fraca que não vale a pena nem mesmo relatar aqui uma sinopse do filme.

UMA CARREIRA CONSAGRADA E CHEIA DE PRÊMIOS...

Durante sua carreira, Jece Valadão recebeu inúmeros prêmios como o de melhor ator em 1956 no 1º Festival de Cinema do Rio de Janeiro, o prêmio Crítica Rochester Festival Word pelo filme Navalha na carne em 1970.

A VIDA CONTINUA...

Depois de uma carreira de sucesso e de uma vida particular que incluiu seis casamentos, Jece se converte à religião protestante e passa a alugar seus estúdios e a trabalhar como produtor de programas evangélicos.

MEMÓRIAS DE UM CAFAJESTE

Em 1996 Jece Valadão escreve em parceria com a jornalista Maria Teresa Eça, um livro que recebeu o sugestivo título de Memórias de um cafajeste, lançado pela Geração Editorial. No livro o autor relata de forma sincera e bem humorada a sua trajetória no mundo artístico e também abre o jogo sobre sua vida pessoal.
Valadão relata suas origens, a luta para se tornar artista, os fracassos e sucessos, a estréia no teatro, o fascínio pelo cinema, os bastidores da televisão, seus casamentos, seus filmes, os prêmios que ganhou como cineasta,os personagens polêmicos vividos no teatro – um travesti na versão brasileira de A Gaiola das Loucas, quando foi chamado por Jorge Dória para substituí-lo, pois havia quebrado a perna, assim como o empresário que viveu no palco tendo como parceira ninguém menos que Robert Close no espetáculo Uma vez por semana de Giba Um, e sua controvertida conversão religiosa, seu encontro com Jesus e a mudança de vida, arrependimentos e planos futuros.

No final do livro Jece dá seu testemunho afirmando que Deus foi suave com ele e que Ele o chamou a seu encontro e que nem ele sabe porquê. E ironia das ironias, Jece Valadão muitas vezes dissera que não acreditava em Deus. Daí concluímos que realmente “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Agora o absurdo dos absurdos - Jece Valadão, muitos anos antes de sua conversão, criou os 10 mandamentos do bom cafajeste, que reproduzo a seguir:

01 – Bater na mulher certa na hora certa;
02 – Amar todas as mulheres – bonitas – intensamente;
03 – Amar acima do normal aquela que lhe é especial;
04 – Cobiçar a mulher do próximo quando ela é boa;
05 – Ser capaz de amar uma criança, principalmente do sexo feminino (pois o futuro ninguém pode prever como será)
06 – Ser amigo incondicional de um amigo;
07 – É essencial que seja boêmio;
08 – Nunca se deslumbrar com nada no mundo;
09 – Ser capaz de fazer uma viagem à lua, se estiver bem acompanhado;
10 – Seguir sempre a filosofia do Vinícius: “as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”.
Para saber mais basta ler o livro – Memórias de um cafajeste.

Como os leitores puderam constatar, bem de acordo com o estilo sempre machista e polêmico de um homem que se autoproclamava “o maior cafajeste do cinema brasileiro”. Jece Valadão morreu aos 76 anos. Seu último trabalho é o documentário, ainda inédito, O Evangelho segundo Jece Valadão. Morre o homem,mas fica a fama.
Humberto Oliveira

09 janeiro, 2007


O adeus a Robert Altman


O mundo do cinema está mais pobre desde 20 de novembro. Morreu o cineasta Robert Altman, ganhador da Palma de Ouro em Cannes por M.A.S.H (1970), um dos poucos diretores de cinema que durante a carreira foi um indomável, um rebelde, um artista inquieto e original que nem Hollywood nem os homens de dinheiro puderam domá-lo.

Formado pela escola da televisão, dirigindo séries como “Bonanza” e “Alfred Hitchcock apresenta”, Altman se tornou um especialista da “imitação”, filmando episódios “à maneira de”, como exercício de estilo, mas acabaria se tornando conhecido filmando fora das regras dos gêneros: M.A.S.H, paródia hilariante e de humor negro sobre os horrores e a inutilidade da guerra; Quando os homens são homens (1971) subvertendo o gênero realizando um western “glacial” para mostrar como eram os verdadeiros pioneiros, ou seja, um outro modo de mostrar a história.
Em 1975 dirigiu Nashiville, uma epopéia sem maquiagens sobre a música popular americana, e que ganharia um Oscar de melhor música. Altman e seus filmes têm assinatura ou marcas registradas: trilhas múltiplas – somente em seus filmes que as pessoas falam ao mesmo tempo com vozes cortando as outras – total liberdade de ação aos atores e incentivando a improvisação nos ensaios e nas filmagens. Durante os anos 1970 foi o cineasta mais cultuado pela crítica européia e parte da americana,mas teve períodos de inexplicável obscurantismo graças ao alguns fracassos como à superprodução Popeye (1980), Kansas City (1996), Dr. T e as mulheres (2000), no entanto nunca realizou um filme medíocre, pois mesmo errando ninguém era igual a ele.

Robert Altman brindou o público com obras primas como citado M.A.S.H; Cerimônia de Casamento (1978), O Jogador (1992) uma visão ácida dos bastidores de Hollywood e recheada de citações e homenagens como à cena de abertura (um plano-sequência de quase seis minutos) quando o personagem de Fred Ward fala justamente sobre o plano-sequência que abre o clássico A Marca da Maldade de Orson Welles , Short Cuts – Cenas da Vida (1993) que seria homenageado pelo diretor Paul Thomas Anderson no seu longa-metragem Magnólia, que segue o mesmo esquema de múltiplas histórias onde os personagens acabam interagindo em algum momento da história. Ironicamente,seu último trabalho por trás das câmeras, recebeu o título no Brasil de “A última noite”.

Com a morte de Robert Altman ficamos um pouco mais a mercê de cineastas adeptos somente do cinema digital, dos efeitos especiais e do croma-kie. Nada contra o cinema escapista, mas se não fosse diretores como Martin Scorsese, Woody Allen, Orson Welles, Elia Kazan, Fred Zinnerman, Fritz Lang, Billy Wilder, David Mamet, Robert Altman entre tantos outros que sabiam muito bem o ofício de fazer filmes, o cinema não existiria.
Humberto Oliveura

Yes, nós não temos mais Braguinha
A música popular brasileira que há muitos anos é bombardeada por ritmos alienígenas, compositores medíocres e cantores picaretas, perdeu um dos seus maiores representantes. João de Barro, Braguinha, que faleceu no último dia 24 de dezembro, três meses antes de completar cem anos. Braguinha seria o primeiro compositor brasileiro a alcançar este feito, mas quis o destino que a história fosse diferente e na última hora mudou o roteiro. Na verdade Deus queria mesmo é que Braguinha fosse logo ficar com ele para que o compositor cantasse exclusivamente Touradas em Madri, As pastorinhas e até mesmo Copacabana e Mane Fogueteiro.

Uma das mais significativas canções do genial compositor Noel Rosa propala que “batuque é um privilégio, ninguém aprende samba no colégio”*, no entanto, no caso do então estudante Carlos Alberto Ferreira Braga a história foi bem diferente. Foi na época de colégio que o futuro João de Barro conheceu o músico Henrique Brito, que lhe ensinaria os primeiros acordes. Mais tarde ambos participariam, ainda como amadores, do grupo “Flor do Tempo”, assim chamado em homenagem à casa de um amigo do grupo que batizou a residência com este nome.

A família do jovem Braguinha não aceitava a idéia de alguém viver de música, pois achava que ficar por aí tocando violão era serviço de vagabundo. Mas o jovem fora fisgado definitivamente e por isso,para não contrariar os pais, adotou o pseudônimo João de Barro, nome pelo qual ficaria conhecido no meio musical, assim como Braguinha, pelos mais íntimos.

Ao lado dos amigos e parceiros Noel Rosa, Almirante e Henrique Brito, como profissionais, fundaram o Bando dos Tangarás. No entanto, o destino do compositor João de Barro era mesmo brilhar, mas brilhar em carreira solo com os primeiros sucessos do carnaval de 1933 como: Trem blindado (1932)

Meu bem pra me livrar da matraca/Da língua de uma sogra infernal/Eu comprei um trem blindado/Pra poder sair no carnaval (...)

Ou ainda Moreninha da praia (1932)

Moreninha querida/Da beira da praia/Que mora na areia/Todo o verão/Que anda sem meia em plena avenida/Varia como as ondas do teu coração/A tua ardência é o que me assombra/Tu tens quarenta graus à sombra (...)

Mesmo sem conhecimentos formais de música, compondo na base do assovio, Braguinha se transformou num campeão da folia, especializado em marchinhas como Linda lourinha, Uma andorinha não faz verão, Dama das Camélias, Balancê, que nos anos oitenta seria gravada por Gal Costa reeditando o sucesso, Pirata da perna de pau, Chiquita Bacana, marchinha que projetou a eterna Rainha do Rádio Emilinha Borba, e ainda Touradas em Madri, cantada por um Maracanã em festa na goleada do Brasil sobre a Espanha, na fatídica Copa de 1950.
Touradas em Madri (1938)

Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha/Queria que eu tocasse castanholas e pegasse touro à unha/Caramba, caracoles/Sou do samba, não amoles/Pro Brasil eu vou fugir.../Isso é conversa mole pra boi dormir!

Na década de 30, participou como diretor e roteiristas de filmes como Estudantes (1935), Alô, alô, carnaval (1936), Banana da terra (1938),e Laranja da China (1940), todos musicais precursores das chanchadas que misturariam números musicais com correria, humor, muita pancadaria e romance. João de Barro atuou também como diretor artístico da gravadora Continental onde projetou nomes como Radamés Gnattali, Tom Jobim, Dóris Monteiro, Nora Ney, Jorge Goulart, Jamelão, Lúcio Alves e Dick Farney.

Reza a lenda que Lúcio Alves, conhecido como “O cantor das mulditinhas”, recebeu este apelido por interpretar todo o repertório de Orlando Silva, “o cantor das multidões”, teria cantado pela primeira vez a hoje clássica e icônica Copacabana, parceria de Braguinha e Alberto Ribeiro, mas a primeira gravação ficou mesmo a cargo de Dick Farney, enquanto Lúcio excursionava pelos Estados Unidos. Copacabana se transformaria numa precursora da Bossa Nova, graças também a personalíssima interpretação de Dick Farney.

Copacabana (1946)

(...) Copacabana, princesinha do mar/Pelas manhãs, tu és a vida a cantar/E à tardinha, o sol poente/Deixa sempre uma saudade na gente (...)

Em 1937 Braguinha letrou um choro-canção composto por Pixinguinha e que receberia o título de Carinhoso, gravado por Orlando Silva, se tornaria um sucesso que é tocado até os dias de hoje. Carinhoso seria usado como tema de abertura da novela escrita por Laura César Muniz, realizada pela Rede Globo nos anos 70, com o mesmo título e protagonizada por Regina Duarte, Cláudio Marzzo e Marcos Paulo. A versão instrumental tocada na abertura teve arranjo e execução de Márcio Montarroyos.

João de Barro compôs em quase todos os ritmos, desde o samba-canção de inspiração rural, Mane Fogueteiro, sucesso na voz de Augusto Calheiros “a patativa do norte”; ao samba urbano modernista como o citado Copacabana e Laura ambos gravados por Dick Farney em 1946. Ele também arquitetou com delicadeza a mais impressionante coleção de discos infantis, aclimatando para o Brasil histórias da Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, além de recuperar inúmeras cantigas de roda. Quem conhece não troca jamais pelas repetitivas e alienantes canções entoadas pela “rainha dos baixinhos”, Xuxa.
As letras e músicas compostas por Braguinha se ouvidas pelos pseudos compositores de músicas infantis de hoje, com certeza mudariam de profissão, caso tivessem vergonha na cara. Quem não recorda desses versos que embalaram a infância de muitas pessoas, como:

Canção do Chapeuzinho Vermelho (Pela estrada)

Pela estrada afora eu vou bem sozinha/Levando estes doces para a vovozinha/Ela mora tão longe, o caminho é deserto/E o Lobo Mau passeia aqui por perto (...)

Ou ainda Os caçadores (Chapeuzinho Vermelho)

Nós somos os caçadores/E nada nos amedronta/Damos muitos tiros por dia/Matamos feras sem conta (...)
João de Barro foi embora na véspera de natal. Deixará muita saudade, mas suas marchinhas e sambas-canções são imortais. Braguinha influenciou não apenas a Bossa Nova como também inspirou os Tropicalistas com a sua Chiquita Bacana.

É triste dizer isto,mas infelizmente é a verdade – yes, nós não temos mais Braguinha!
Humberto Oliveira
*Feitio de oração, composiçaõ de Noel Rosa e Vadico

05 janeiro, 2007


"Por toda a minha vida" especial em homenagem a Elís Regina

A programação, dita especial, de fim de ano realmente deixou muito a desejar. No mais foram exibidos os programas de sempre com algumas raras modificações e todas as redes, como de praxe, exibiram as suas retropectivas, como acontece todos os anos, shows com sumidades do que eles chamam de "música popular brasileira", mas nada que empolgue, a não ser aos que já se acosturamaram com a mediocridade geral que assola a televisão brasileira.
No entanto, algo estranho aconteceu - e não foi nenhuma invasão extraterrestre ou a descoberta de que Bush é um clone - Não, nada disso. Apenas o especial exibido pela Rede Globo na quinta-feira, 28 de dezembro - Por toda a minha vida - em homenagem a cantora Elís Regina. Um programa raro e que me pegou de surpresa.
o programa, apresentado por Fernanda Lima, acompanha a trajetória da cantora desde criança, a adolescência quando começou a cantar num programa de rádio, a ida para o Rio de Janeiro, a amizade com Milton Nascimento e Gilberto Gil na época artistas desconhecidos, as brigas com Ronaldo Bôscoli com quem acabaria casando, os sucessos como Arrastão, as polêmicas, e cenas de arquivo mostrando Elís cantando com Tom Jobim, a interpretação personalíssima para Atrás da porta de Francis Hime e Chico Buarque, o segundo casamento com o também músico César Camargo Mariano e depoimentos emocionados e emocionantes de Miéle, Nelson Motta, da mãe de Elís, de Jair Rodrigues que apresentou com a cantora o programa o Fino da Bossa e gravou três discos com músicas cantadas no programa e muito mais.
A Globo caprichou na homenagem, no entanto nem tudo é perfeito. Ocorreram alguns pequenos deslizes como por exemplo, a data do nascimento da cantora é 17 de março e não 18, como é dito no programa pelo cantor Jair Rodrigues, em momento algum é citada a Rede Record que promoveu os festivais, a causa da morte de Elís, a parte dramatizada ficou artificial e parecendo teatro filmado, no entanto o pecado maior, a escalação de Fernanda Lima para apresentar o programa. A moça não conseguiu ser natural em nenhum momento. Realmente uma bola fora. Talvez o fato dela ser gaúcha como Elís justifica sua presença no especial, justifica, mas não explica. Mesmo assim Por toda minha vida, foi um momento raro, valioso e inesquecível. Afinal de contas Elís Regina não mericia menos.
Infelizmente alguns artistas consagrados não quiseram participar, como Caetano Veloso, que questionou o porque de um especial para lembrar os vinte e cinco anos da morte da cantora. Uma besta. Outro que também declinou do convite foi João Bosco que inclusive teve inúmeras composições gravadas por Elís em vários discos e ainda um lp somente com músicas dele e de Aldir Blanc, e ainda Chico Buarque e César Camargo Mariano que quiseram ler o rotreiro das perguntas e do programa, mas não foram atendidos. Uma pena.
Ao mesmo tempo devo lembrar que o campositor João de Barro falecido na véspera de natal também deveria ganhar um especial semelhante, pois Braguinha, como também conhecido o compositor foi um dos mais importantes da nossa música. E assim como ele, outros compositores como Herivelto Martins, Zé Keti, Noel Rosa, Ary Barroso, Cartola,Ataulfo Alves, apenas para citar alguns, também merecem um especial com pelo menos um hora de duração ou mais.
Não custa nada sonhar.
Humberto Oliveira
Mais um longo dia para Jack Bauer

O agente especial da UCT (Unidade Contra Terrorismo) Jack Bauer está de volta. A Rede Globo está exibindo desde a última segunda-feira, 01 de janeiro, a quinta temporada da série 24 Horas. Na temporada anterior,Jack precisou simular sua morte, e agora uma nova trama foi armada para incriminá-lo como o assassino do ex-presidente David Palmer, que foi morto com um tiro na garganta. Mas Jack tem de ser rápido para provar sua inocência.
Michelle Drexlle morre num atendado à bomba e Tony Almeida sai gravemente ferido. No entanto mais um alvo está na mira dos bandidos, ninguém menos que Chloe O'Brian, que consegue avisar e pedir ajuda a Bauer, que logo que sabe da morte de Palmer entra em ação para salvar Chloe e limpar seu nome.
Primeiro David Palmer, depois Michelle e Tony e ainda Chloe. As quatro pessoas que sabiam que Jack Bauer ainda estava vivo. Duas estão mortas, uma ferida e uma ainda vive. Os terroristas perseguem Cloe, que acaba salva por Jack que ainda detona alguns terroristas,mas um deles está gravemente ferido, no entanto Bauer quer respostas. O bandido confessa que matou Palmer e isso sela seu destino.
Estes são alguns acontecimentos do primeiro episódio desta temporada, que para muitos que já a assistiram é uma das melhores, depois da primeira temporada,que em minha opinião continua imbatível apesar de alguns deslizes como a fita de vigilância da sala de interrogatórios da UCT onde aparece Nina Mayers matando Jamie. Quem assistiu lembra muito bem que as câmeras se vigilância foram desligadas e então como o que aconteceu foi gravado? Isso sem falar no emabte final entre Jack e os mercenários pagos pela família Drazen. Antes de Jack invadir o esconderijo, vemos que existem ali cerca de dez ou mais homens, porém como num passe de mágica alguns desaparecem! Será que Jack Bauer é mágico? Mas isso não tira o brilho deste que é um dos melhores seriados produzidos para televisão.
O quinto dia mais longo da vida de Jack Bauer está apenas começando e muitas surpresas e reviravoltas esperam pelo espectador no decorrer dos próximos episódios de 24 Horas. Então fique ligado para não perder nenhum minuto.
24 Horas está sendo exibida de segunda à sexta logo após o Jornal da Globo.
A Globo programou a exibição nos próximos meses da segunda temporada de Lost e a primeira de Prison Break, que em breve comentaremos aqui.
Humberto Oliveira

03 janeiro, 2007




BATE PAPO Especial

Gosto é algo que não se discute, se lamenta. No cinema essa velha máxima tem quer ser aplicada em dobro, pois falar de filmes é tratar com gostos pessoais, sem que exista um coletivo unânime sobre o que foi melhor ou pior. Por isso mesmo essa lista que o meu amigo e articulista Humberto prepara todo ano é uma delícia de ironia e humor. Levar a sério fica a critério de cada um, mas eu levo bastante a sério, pois de certa forma, muito do que ele comenta tem sua razão de ser - e olha que ainda acho que ele pega leve com algumas obras.

*Cinema é diversão escapistas por natureza e ainda assim é uma forma de expressão que pode ser cultuada dentro dos aspectos das suas propostas, por isso tantos gêneros, escolas, estilos. A escola européia é mais tendenciosa a cabecices, com um tempero a mais na arte e menos na diversão (ainda que seja um paradoxo). O cinema americano é do tipo “pipoca” mesmo, pop, com seus efeitos, histórias mirabolantes (e cada vez mais rasas em sua maioria), por isso ao tratar do que é melhor e pior, a questão é subjetiva, e essa coluna especial do ALMANAQUE propõe uma mostra do que rolou nos cinemas de Porto Velho, ou seja, dos filmes que foram exibidos nas telas de cinema da família Lacerda. E olha que faltou muita coisa. Por isso mesmo leitor perdoe se na lista dos melhores apareçam filmes como: “Crash”, “King Kong”, “Munique” e “Marcas da Violência”, que são de 2005, mas essas produções só foram exibidas por aqui no início de 2006 mesmo.

*E tenha certeza, é uma tarefa árdua e ao mesmo tempo prazerosa, todos os filmes comentados nesse Especial foram assistidos. Aliás, tarefa essa que muitas vezes acompanho, para ver se as avaliações dos filmes estão sendo feitas à contento pelo articulista. Portanto internauta leitor, aproveite e curta esse Especial. E saiba que, como o próprio autor ressalta, a lista comentada é uma opinião formada e ela é sucinta à críticas e elogios.

*Encerro esse Bate Papo ressaltando que essa edição 40 do ALMANAQUE é um motivo de celebração, pois durante esse tempo Humberto apresentou dicas de livros, CDS e DVDs, teceu opiniões e críticas e apresentou uma oportunidade ao leitor de conhecer um pouco mais os meios e os produtos de consumo que fazem da “cultura pop” uma diversão salutar de conhecimento e entretenimento. Por tudo isso, espero comentar mais 40, 80, 120, 160 edições comemorativas. Parabéns ao nobre companheiro de labuta e amigo de longa data. Vamos a diversão! (Marcos Souza – um dos editores do site)


Enquanto isso na Sala de Justiça – Viva o cinema brasileiro

O cinema brasileiro,como acontece todos os anos, continua a luta pela “retomada” com os mesmos ingredientes, ou seja, misturando novos talentos e veteranos. 2006 sem sombra de dúvida foi o ano do diretor Daniel Filho que emplacou dois filmes – Se eu fosse você, com Glória Pires e Tony Ramos, que levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas, e o a comédia de humor negro – Muito gelo e dois dedos de água. O primeiro foi exibido no Cine Veneza com relativo sucesso, quanto ao segundo, só Deus sabe quando o veremos.

Mas nem só de Daniel Filho vive o cinema brasileiro. Tivemos também a oportunidade de assistir filmes adaptados de peças que fizeram sucesso como A Máquina (João Falcão) e o Irma Vap - O Retorno dirigido por Carla Camurati, baseado na peça O mistério de Irmã Vap que assim como o filme foi protagonizada pelos atores Marco Nanini e Ney Latorraca. Irmã Vap – O retorno esteve em cartaz no Cine Veneza, depois Cine Rio e foi encerrar sua carreira rondoniense no Cine Brasil.

Os veteranos também marcaram presença. Por exemplo Nelson Pereira dos Santos com Brasília 18%, Cacá Diegues em mais uma parceria com o ator José Wilker no obscuro O maior amor do mundo e Sérgio Rezende com Zuzu Angel protagonizado por Patrícia Pillar. Os três foram exibidos em Porto velho, mas apenas o último conseguiu ficar em cartaz mais de duas semanas.

Os rondonienses puderam assistir também ao último trabalho do humorista Bussunda, que faleceu durante a copa do mundo este ano, no péssimo Seus problemas acabaram, dirigido por José Lavigne, habitual diretor do grupo no programa Casseta e planeta urgente da TV Globo. No elenco além dos “cassetas” o insuportável Murilo Benício. Um fiasco e uma ode ao mau gosto e ao bom senso. Para completar passou despercebida a comédia sem graça protagonizada pelo ator Alexandre Borges, que pagou o maior mico na sua participação no capenga Gatão de meia idade, mas o pior acaba de estrear Xuxa Gêmeas, mas uma abominação que a “titia dos baixinhos” chama de cinema! Desta vez Xuxa,que não satisfeita em massacrar a arte de interpretar com seus personagens sem nenhuma profundidade,resolveu fazer papel duplo,ou seja, o espectador paga um ingresso,mas leva duas Xuxas, isso é dose para leão. A trama não existe e as interpretações são as piores possíveis. Xuxa Gêmeas é uma desculpa da protagonista para reunir nulidades barulhentas como Ivete Sangalo, Marcos Pasquim e outros canastrões globais. Um horror.

Infelizmente ou felizmente muitos filmes nacionais não foram exibidos em nossas parcas telas de cinema como o citado Muito Gelo e Dois Dedos de Água de Daniel Filho; Anjos do Sol; O ano em que meus pais saíram de férias; Árido movie, O céu de Suely; A Concepção; Crime delicado; Estamira; Fica comigo esta noite; Mulheres do Brasil e Boleiros 2. Realmente uma pena.

O cinema brasileiro trava uma batalha desigual com as superproduções norte americanas que investem cada vez mais dinheiro em efeitos visuais e digitais esquecendo que de vez em quando faz bem para a platéia assistir a um filme com roteiro bem escrito,bem dirigido e bem interpretado. Mas vamos deixar de sonhos que a fila está andando e o espectador quer sempre o melhor lugar para apreciar o espetáculo.

Apertem os cintos que o piloto sumiu – Os piores de 2006

A parte mais difícil não é apontar os piores. É arranjar espaço na matéria para tanta bomba. Impossível dizer quais dos filmes que citarei a seguir é o pior do ano, pois o páreo é duro e a concorrência,desleal.

Um dos piores filmes do ano e sem dúvida deve ter sido uma boa pancada no ego inflamado do ex-Indiana Jones, Harrison Ford que protagonizou o fraquíssimo Firewall - Segurança em Risco dirigido por um tal de Richard Loncraine. Acompanhando Ford ao fundo do poço o resto do elenco, Paul Bettany e Virginia Madsen. Cá entre nós. Vocês lembram qual o último filme de Harrison Ford que fez sucesso? Não. Pois é, nem eu.

Seguindo o campo minado encontramos outra pérola. Um filme que durante muitos anos esteve no limbo cinematográfico,mas que infelizmente encontrou uma brecha no sistema e conseguiu ver a luz dos refletores. Estou falando do lamentável e desnecessário Instinto Selvagem 2 com direção de Michael Cotton-Jones, que uniu-se a Sharon Stone para realizarem este verdadeiro caça-níqueis. O resultado não poderia ser outro – fracasso.

Você acha que acabou? Que nada. Tem mais armadilhas esperando por você. Por exemplo Todo Mundo em Pânico 4. Será que os produtores ainda não perceberam que a série deu o que tinha de dar? Óbvio que não. O primeiro não era nenhuma obra prima e os subseqüentes foram caindo na vala comum. Mas existem aquelas pessoas que adoram.

Outra decepção foi o suspense Sentinela dirigido sem criatividade por Clark Johnson, o mesmo do fraco SWAT. Sentinela traz Michael Douglas no piloto automático numa trama que não decola de tão inverossímil e previsível. Ainda no elenco, Kiefer Sutherland, repetindo o Jack Bauer do seriado 24 Horas e Eva Langoria, a Gabriele de Desesparate Housewifes.

Isso sem mencionar nulidades como A Casa do lago, filmes romântico e açucarado que une Keanu Reaves e Sandra Bullock muitos anos depois do sucesso de Velocidade Máxima. Vê-se claramente que a química entre os dois ficou para trás. A casa do lago é recomendado apenas para casais sem crises existenciais. O filme não é ruim, apenas esta história não precisava de uma nova versão.

O cineasta John Moore acertou a mão quando realizou o remake do clássico o Vôo da Fênix há dois anos. Agora o mesmo diretor entrega e estraga o que estava bom. A refilmagem de A profecia, dirigido originalmente por Richard Donner. John Moore quis ser reverente demais com o filme original e acabou fazendo uma cópia desbotada e sem brilho. Lamentável.

A internet é uma grande arma de marketing que Hollywood aprendeu finalmente a usar a seu favor, no entanto, os efeitos colaterais são terríveis. Vejamos este Serpentes a bordo dirigido por David Elis e estrelado por um caricato, mas sempre competente Samuel L. Jackson. Este filme é um absurdo do começo ao fim. Tudo começa quando um rapaz testemunha um assassinato. O rapaz é visto e passa a ser perseguido pelos bandidos que querem mata-lo a qualquer preço. É aí então que entra em cena, Samuel L.Jackson, parodiando Shaft, e salva a testemunha e juntos embarcam num avião para Los Angeles. Tudo parece estar bem,mas de repente cobras e serpentes de todas as espécies começam a atacar todos os passageiros. A partir de então os absurdos tomam de conta da história e a correria começa e um a um ou aos pares vão sendo eliminados pelas serpentes venenosas. Pilotos mortos, passageiros em pânico e um avião prestes a cair. Daí até o final será muita adrenalina. O filme fez o maior sucesso,mas de tão ruim chega a ser bom. É trash puro,recheado de clichês e diálogos que parecem saídos da novela teen tipo Rebeldes ou Malhação. Assista,mas desligue o cérebro.

E para terminar esta parte dedicada aos piores do ano nos cinemas estão as produções Click (Frank Coraci) protagonizada pelo comediante Adam Sandler (eu chamei Sandler de comediante!) que divide a cena com a bela,mas pouco expressiva Kate Backinsale (Van Helsing, Pearl Harbor) . Sandler consegue um controle remoto que o faz voltar o tempo ou pará-lo e acaba usando o aparelho em proveito próprio. Comédia sem graça, mal dirigida e dispensável.

Exatamente como esta continuação intitulada Anjos da noite – a evolução dirigido por Len Wiseman,marido na vida real da protagonista do filme, Kate Backinsale (a mesma de Click) e Scott Speedman. Para ser sincero a tal evolução do subtítulo deve se referir aos milhões gastos nos efeitos especiais para mascarar a mediocridade da produção que sofre desde o primeiro filme,da síndrome de Matrix.

Nem piores e nem melhores – apenas filmes para passar o tempo

Mas muitos filmes que não podemos dizer que não são bons,no entanto não podemos afirmar que sejam ruins,ou seja,ficaram no meio termo. Alguns dos filmes que cito a seguir foram exibidos nos nossos cinemas, muitos deles fizeram sucesso,que não se explica,afinal de contas o público nem sempre está interessado numa boa história e sim em apenas num passatempo para se divertir durante uma hora e meia ou duas horas.

Muitos gostaram da versão para cinema da famosa série dos anos 80 Miami Vice que chega ao cinema pelas mãos de um velho conhecido, o diretor Anthony Mann, (o mesmo de Colateral e Fogo contra fogo). A versão Miami Vice dos anos 2006 traz os atores Collin Farrel, exagerando nos trejeitos e na cara de moço rebelde,mas sensível, e seu companheiro é James Fox, que depois do Oscar por Ray, não tem acertado a mão, serve apenas de escada para o estrelismo de Farrel. Pouca ação, imagem granulada,fotografia horrível, e interpretações pouco convincentes. Vale uma olhada.

Outra produção exibida no Cine Veneza foi A Dama na Água de M. Night Shyamalan, que ficou pouco tempo em cartaz.O filme está longe dos ótimos Sexto sentido e Corpo Fechado. Os filmes anteriores do diretor, Sinais e A Vila também não foram bem recebidos, mas sem dúvida ele ainda tem muito que dizer como cineasta.

Tom Cruise realmente não quer largar Ethan Hunt e junto com o seu novo queridinho J. J. Abrams barbarizam em Missão: Impossível III. O filme,que recebeu elogios até do exigente Rubens Ewald Filho, não tudo isso. Mas verdade seja dita – o filme é bem produzido,porém um fiapo de história não é o suficiente para fazer desta terceira seqüência um bom filme. Missão: Impossível III, apenas diverte. E só. Ao sairmos do cinema logo esquecemos o filme.

Outro campeão de vendas de ingressos foi o esperado e superestimado O Código Da Vinci de Ron Howard baseado no famoso livro homônimo que causou polêmica pelo seu conteúdo contestado pela igreja católica. Na verdade, o livro e o filme dele originado não passam de entretenimento que alguns levaram a sério demais. Claro que isso acabou por beneficiar a bilheteria desta superprodução protagonizada por Tom Hanks,que não estava nos seus melhores dias como ator. O filme de Ron Howard não passa de uma mera curiosidade bem produzida.

O Segredo de Brokeback Mountain de Ang Lee sofreu o boicote dos membros da academia ao perder o Oscar de melhor filme para Crash – no limite, não que este filme não seja melhor,mas o tema do primeiro influenciou os votos dos conservadores da academia. Brokeback Moutain é um filme bem feito, com interpretações acima da média dos dois atores que interpretam papéis difíceis e passivos de preconceitos. Na verdade, muito barulho por nada.

Outros filmes que podemos mencionar são - Memórias de uma Gueixa – Bob Marshall com Ziyi Zhang e Ken Watanabe; o filme catástrofe Poseidon Wolfgan Petersen; duas produções com Bruce Willis - 16 Quadras de Richard Donner e Xeque-Mate de Paul McGuigan e para finalizar esta parte, O Soldado anônimo terceiro longa-metragem de Sam Mendes (Beleza Americana e Estrada para a perdição).

Perdendo o bonde da história – Filmes que não veremos tão cedo a não ser em dvd?

007 – Cassino Royale de Martin Campbell com Daniel Craig assumindo o papel de James Bond. Campbell dirigiu Goldeneye e A máscara do Zorro); Filhos da esperança – Afonso Cuarón, com Clive Owen (Closer); Fonte da vida – Darren Aronofsky com Hugh Jackman e Raquel Weisz; O grande truque – Christopher Nolan (Amnésia/Batman Begins) com Hugh Jackman (X – Men) Christian Bale (Batman Begins); O ilusionista – Neil Burger com Edward Norton; Os Infiltrados – Martin Scorsese com Jack Nicholson, Leonardo Di Caprio,Matt Dillon; O labirinto de Fauno – Guilherme Del Toro – Blade 2 e Hellboy.; A Conquista da honra de Clint Estwood com Ryan Phillipp (Crash) e Adam Beach; Três enterros que marcou a estréia na direção de Tommy Lee Jones; Vôo United 93 de Peter Greengrass;; Ponto Final - Match Point – Woody Allen; Boa Noite e Boa Sorte de George Clooney estes últimos disponíveis em dvd.

Com vocês os melhores de 2006 – Pelo menos na minha humilde opinião

Existem filmes e filmes. E cada um tem a sua opinião sobre qual é o melhor,o pior, e assim por diante. A cada ano que passa fica mais difícil fazer estas escolhas sem cometer injustiças. Por isso dividi esta sessão em três blocos distintos como 01) filmes inesquecíveis; 02) Filmes importantes e 03) filmes divertidos.

03) Filmes divertidos. O critério que usei aqui foi bem simples. Nada impede que uma produção cheia de efeitos especiais não mereça respeito por parte dos críticos. Se os fãs gostam e por isso faz sucesso então quem sou eu para falar mal. Nesta lista relaciono:

X- Men - O Confronto Final de Bret Ratner que entrou no barco quando Brain Singer partiu para trazer de volta o Homem de Aço. Ratner conseguiu realizar um filme a altura dos anteriores reunindo antigos personagens e novos com maestria. X- Men O confronto Final segue a receita perfeita do ótimo entretenimento que reúne criatividade,qualidade, efeitos especiais sem esquecer da importância dos personagens. Como sempre o destaque vai para Ian Mckallen como Magneto e Hugh Jackman,perfeitamente à vontade como Wolverine.

Outros filmes que colocamos nesta lista é Superman - O Retorno dirigido com paixão por Bryan Singer. Talvez este excesso de paixão pelo personagem e pelo filme de Richard Donner Superman, o filme, tenham impedido que o jovem cineasta voasse mais alto. O filme tem cenas antológicas como o salvamento do avião, o tiro no olho, o vôo com Lois Lane, o salvamento no mar, mas dá escorregões como um roteiro pouco criativo e pouca ação. Fora isso, Superman, o retorno tem tudo para agradar, e mesmo não sendo o sucesso esperado de bilheteria em breve veremos uma continuação. Para o alto e avante!

E finalizando esta parte o campeão de bilheteria Piratas do Caribe: O Baú da Morte de Gore Verbinsck que reúne quase todo o elenco do primeiro filmes para dar continuidade às aventuras do pirata Jack Sparrow, sem sombra de dúvida continua sendo o melhor atrativo para o público. Excessos tiram um pouco o brilho desta seqüência que foi filmada junto com a terceira parte que deve estrear em 2007. Mesmo assim um dos melhores filmes de aventura do ano. Porém, o primeiro – Piratas do Caribe, a maldição do Pérola Negra continua imbatível.

02) Filmes importantes. Relacionei aqui quatro filmes feitos por cineastas que sempre têm algo a mais a contar para o espectador. E cada um deles conquistou merecidamente o seu público.

O polêmico Spike Lee brindou o público com o um filme onde nada parecer ser o que é. O Plano perfeito é uma mistura eficaz de roteiro criativo, elenco afiado e direção inspirada. Um dos melhores filmes do ano. Outra produção de destaque é o aclamado V de Vingança baseado na obra de Alan Moore e dirigido por James Mctiegue que traz no elenco à talentosa Nathalie Portman. V de Vingança é um soco no estomago.

Destacamos também o mais novo trabalho de Brian De Palma em Dália Negra, De Palma realiza aqui um noir em cores baseado em fatos reais. Ótima reconstituição de época e os preciosismos técnicos típicos do diretor. Pena que o filme ficou apenas uma semana em cartaz no Cine Veneza.

2006 foi o ano que dois cineastas, entre eles Peter Greengrass com Vôo United 93 (citado acima) e Oliver Stone com Torres Gêmeas tentaram recontar histórias trágicas do fatídico 11 de setembro. O primeiro não foi exibido em Porto Velho e tivemos de assistir em dvd, que por sinal demorou muito a chegar. Quanto ao segundo, ficou cerca de três semanas em cartaz, estreou no Cine Veneza e depois foi para o Cine Rio. O filme dividiu a crítica e o público. O que posso dizer sem me prolongar muito é que nem parece um filme de Oliver Stone, mas como sempre é latente a preocupação com os detalhes e o realismo. Um bom filme,mas que ás vezes resvala para a pieguice, sem no entanto prejudicar o desenvolvimento da história.

03) Filmes inesquecíveis. Todos os anos centenas de filmes são realizados. Muitos são exibidos nos cinemas e outros saem direto em dvd. Os cinco que relaciono abaixo foram exibidos no cinema e estão disponíveis em dvd. Estes filmes feitos por diretores com estilos diferentes formam o quinteto que reúne os melhores do ano.

Apesar de ser uma refilmagem de um clássico de 1933, o King Kong de Peter Jackson, o consagrado diretor da trilogia Senhor dos Anéis, é na verdade uma homenagem ao cinema e ao filme original dirigido por Merian C.Cooper. Tudo no filme de Jackson funciona. Os atores, os efeitos especiais a serviço da história e tudo mais. King Kong foi lançado em 2005,mas foi exibido em Porto Velho em 2006 alcançando grande sucesso.

O filme dirigido por Steven Spielberg, Munique, foi bastante criticado e também ignorado na entrega do último Oscar. Bobagens à parte, Munique figura entre os melhores filmes do cineasta que conta uma história forte com um realismo contundente. O elenco encabeçado por um surpreendente Eric Bana,dá conta do recado com profissionalismo,entre eles o ator Daniel Craig, o novo James Bond. Nesta lista de melhores de 2006, este filme não poderia ficar de fora.

Outro filme que pudemos assistir apenas em dvd foi o aclamado Crash – no limite, que com justiça ganhou o Oscar de Melhor filme de 2006. O filme dirigido por Paul Higgis, roteirista do também premiado Menina de ouro que ele roteirizou para Clint Eastwood dirigir. O filme traz um elenco de estrelas como Sandra Bullock e ótimas performances de Don Cheadle e Matt Dillon, realmente surpreendente como um policial racista. Crash mostra várias histórias, tipo Short Cuts – Cenas da vida de Robert Altman, envolvendo vários personagens que acabam se envolvendo em situações que os levam ao limite. Certamente um dos melhores filmes de 2006.

Depois de tanta conversa chegamos ao que interessa. Os filmes que relaciono a seguir foram para mim os melhores filmes do ano. Claro que os citados acima também fazem parte, mas estes dois são produções que mexeram, emocionaram, fizeram refletir. Certamente eles não foram campeões de bilheteria e não usam e nem abusam de efeitos especiais, no entanto, suas histórias e a forma como são contadas fizeram deles os campeões em minha opinião. São eles - Marcas da violência de David Cronemberg e O jardineiro fiel de Fernando Meirelles com Ralph Fienes e Raquel Weisz.

O filme dirigido por David Cronemberg mostra Viggo Mortensen (Senhor dos Anéis) como um pacato dono de uma lanchonete numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Um dia chegam dois homens armados que tentam assaltar o local,no entanto, a reação dele é fulminante e os dois bandidos acabam mortos. A partir deste incidente seu verdadeiro passado vem à tona.

Ainda no elenco, Maria Bello, que protagoniza duas ótimas e realistas cenas de sexo com Mortessen; Ed Harris como um assassino profissional numa caracterização sinistra. Isso sem falar na participação especial de Willam Hurt, realmente impagável. Marcas da violência é um filme que faz refletir. Um soco no estômago. Dói na hora,mas serve para você pensar um pouco sobre o quanto a vida é frágil.

Quanto a estréia internacional do cineasta brasileiro Fernando Meirelles com o excelente O Jardineiro fiel, baseado no livro do escritor John Le Carré e tendo no elenco Ralph Fienes numa interpretação contida, mas impactante, e a ganhadora do Oscar de Melhor atriz do Oscar 2006, a talentosa Raquel Weisz, que graças a sua atuação deixa de ser conhecida apenas pelo seu papel no divertido A Múmia e em sua continuação. Em o Jardineiro Fiel, ela interpreta um ativista que desaparece. Primeiro querem fazer crer que ela fora morta por um amante,mas o marida dela,vivido por Fienes parte em busca da verdade. Verdade esta que lhe custara a vida também.

Depois do sucesso de Cidade de Deus muitos acharam que fora um golpe de sorte de Meirelles. Com O Jardineiro fiel ele mostrou que veio para ficar e provou seu talento.

BATE PAPO Especial

Gosto é algo que não se discute, se lamenta. No cinema essa velha máxima tem quer ser aplicada em dobro, pois falar de filmes é tratar com gostos pessoais, sem que exista um coletivo unânime sobre o que foi melhor ou pior. Por isso mesmo essa lista que o meu amigo e articulista Humberto prepara todo ano é uma delícia de ironia e humor. Levar a sério fica a critério de cada um, mas eu levo bastante a sério, pois de certa forma, muito do que ele comenta tem sua razão de ser - e olha que ainda acho que ele pega leve com algumas obras.

*Cinema é diversão escapistas por natureza e ainda assim é uma forma de expressão que pode ser cultuada dentro dos aspectos das suas propostas, por isso tantos gêneros, escolas, estilos. A escola européia é mais tendenciosa a cabecices, com um tempero a mais na arte e menos na diversão (ainda que seja um paradoxo). O cinema americano é do tipo “pipoca” mesmo, pop, com seus efeitos, histórias mirabolantes (e cada vez mais rasas em sua maioria), por isso ao tratar do que é melhor e pior, a questão é subjetiva, e essa coluna especial do ALMANAQUE propõe uma mostra do que rolou nos cinemas de Porto Velho, ou seja, dos filmes que foram exibidos nas telas de cinema da família Lacerda. E olha que faltou muita coisa. Por isso mesmo leitor perdoe se na lista dos melhores apareçam filmes como: “Crash”, “King Kong”, “Munique” e “Marcas da Violência”, que são de 2005, mas essas produções só foram exibidas por aqui no início de 2006 mesmo.

*E tenha certeza, é uma tarefa árdua e ao mesmo tempo prazerosa, todos os filmes comentados nesse Especial foram assistidos. Aliás, tarefa essa que muitas vezes acompanho, para ver se as avaliações dos filmes estão sendo feitas à contento pelo articulista. Portanto internauta leitor, aproveite e curta esse Especial. E saiba que, como o próprio autor ressalta, a lista comentada é uma opinião formada e ela é sucinta à críticas e elogios.

*Encerro esse Bate Papo ressaltando que essa edição 40 do ALMANAQUE é um motivo de celebração, pois durante esse tempo Humberto apresentou dicas de livros, CDS e DVDs, teceu opiniões e críticas e apresentou uma oportunidade ao leitor de conhecer um pouco mais os meios e os produtos de consumo que fazem da “cultura pop” uma diversão salutar de conhecimento e entretenimento. Por tudo isso, espero comentar mais 40, 80, 120, 160 edições comemorativas. Parabéns ao nobre companheiro de labuta e amigo de longa data. Vamos a diversão! (Marcos Souza – um dos editores do site)


CINEMA 2006

Enquanto isso na Sala de Justiça – Viva o cinema brasileiro

O cinema brasileiro,como acontece todos os anos, continua a luta pela “retomada” com os mesmos ingredientes, ou seja, misturando novos talentos e veteranos. 2006 sem sombra de dúvida foi o ano do diretor Daniel Filho que emplacou dois filmes – Se eu fosse você, com Glória Pires e Tony Ramos, que levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas, e o a comédia de humor negro – Muito gelo e dois dedos de água. O primeiro foi exibido no Cine Veneza com relativo sucesso, quanto ao segundo, só Deus sabe quando o veremos.

Mas nem só de Daniel Filho vive o cinema brasileiro. Tivemos também a oportunidade de assistir filmes adaptados de peças que fizeram sucesso como A Máquina (João Falcão) e o Irma Vap - O Retorno dirigido por Carla Camurati, baseado na peça O mistério de Irmã Vap que assim como o filme foi protagonizada pelos atores Marco Nanini e Ney Latorraca. Irmã Vap – O retorno esteve em cartaz no Cine Veneza, depois Cine Rio e foi encerrar sua carreira rondoniense no Cine Brasil.

Os veteranos também marcaram presença. Por exemplo Nelson Pereira dos Santos com Brasília 18%, Cacá Diegues em mais uma parceria com o ator José Wilker no obscuro O maior amor do mundo e Sérgio Rezende com Zuzu Angel protagonizado por Patrícia Pillar. Os três foram exibidos em Porto velho, mas apenas o último conseguiu ficar em cartaz mais de duas semanas.

Os rondonienses puderam assistir também ao último trabalho do humorista Bussunda, que faleceu durante a copa do mundo este ano, no péssimo Seus problemas acabaram, dirigido por José Lavigne, habitual diretor do grupo no programa Casseta e planeta urgente da TV Globo. No elenco além dos “cassetas” o insuportável Murilo Benício. Um fiasco e uma ode ao mau gosto e ao bom senso. Para completar passou despercebida a comédia sem graça protagonizada pelo ator Alexandre Borges, que pagou o maior mico na sua participação no capenga Gatão de meia idade, mas o pior acaba de estrear Xuxa Gêmeas, mas uma abominação que a “titia dos baixinhos” chama de cinema! Desta vez Xuxa,que não satisfeita em massacrar a arte de interpretar com seus personagens sem nenhuma profundidade,resolveu fazer papel duplo,ou seja, o espectador paga um ingresso,mas leva duas Xuxas, isso é dose para leão. A trama não existe e as interpretações são as piores possíveis. Xuxa Gêmeas é uma desculpa da protagonista para reunir nulidades barulhentas como Ivete Sangalo, Marcos Pasquim e outros canastrões globais. Um horror.

Infelizmente ou felizmente muitos filmes nacionais não foram exibidos em nossas parcas telas de cinema como o citado Muito Gelo e Dois Dedos de Água de Daniel Filho; Anjos do Sol; O ano em que meus pais saíram de férias; Árido movie, O céu de Suely; A Concepção; Crime delicado; Estamira; Fica comigo esta noite; Mulheres do Brasil e Boleiros 2. Realmente uma pena.

O cinema brasileiro trava uma batalha desigual com as superproduções norte americanas que investem cada vez mais dinheiro em efeitos visuais e digitais esquecendo que de vez em quando faz bem para a platéia assistir a um filme com roteiro bem escrito,bem dirigido e bem interpretado. Mas vamos deixar de sonhos que a fila está andando e o espectador quer sempre o melhor lugar para apreciar o espetáculo.

Apertem os cintos que o piloto sumiu – Os piores de 2006

A parte mais difícil não é apontar os piores. É arranjar espaço na matéria para tanta bomba. Impossível dizer quais dos filmes que citarei a seguir é o pior do ano, pois o páreo é duro e a concorrência,desleal.

Um dos piores filmes do ano e sem dúvida deve ter sido uma boa pancada no ego inflamado do ex-Indiana Jones, Harrison Ford que protagonizou o fraquíssimo Firewall - Segurança em Risco dirigido por um tal de Richard Loncraine. Acompanhando Ford ao fundo do poço o resto do elenco, Paul Bettany e Virginia Madsen. Cá entre nós. Vocês lembram qual o último filme de Harrison Ford que fez sucesso? Não. Pois é, nem eu.

Seguindo o campo minado encontramos outra pérola. Um filme que durante muitos anos esteve no limbo cinematográfico,mas que infelizmente encontrou uma brecha no sistema e conseguiu ver a luz dos refletores. Estou falando do lamentável e desnecessário Instinto Selvagem 2 com direção de Michael Cotton-Jones, que uniu-se a Sharon Stone para realizarem este verdadeiro caça-níqueis. O resultado não poderia ser outro – fracasso.

Você acha que acabou? Que nada. Tem mais armadilhas esperando por você. Por exemplo Todo Mundo em Pânico 4. Será que os produtores ainda não perceberam que a série deu o que tinha de dar? Óbvio que não. O primeiro não era nenhuma obra prima e os subseqüentes foram caindo na vala comum. Mas existem aquelas pessoas que adoram.

Outra decepção foi o suspense Sentinela dirigido sem criatividade por Clark Johnson, o mesmo do fraco SWAT. Sentinela traz Michael Douglas no piloto automático numa trama que não decola de tão inverossímil e previsível. Ainda no elenco, Kiefer Sutherland, repetindo o Jack Bauer do seriado 24 Horas e Eva Langoria, a Gabriele de Desesparate Housewifes.

Isso sem mencionar nulidades como A Casa do lago, filmes romântico e açucarado que une Keanu Reaves e Sandra Bullock muitos anos depois do sucesso de Velocidade Máxima. Vê-se claramente que a química entre os dois ficou para trás. A casa do lago é recomendado apenas para casais sem crises existenciais. O filme não é ruim, apenas esta história não precisava de uma nova versão.

O cineasta John Moore acertou a mão quando realizou o remake do clássico o Vôo da Fênix há dois anos. Agora o mesmo diretor entrega e estraga o que estava bom. A refilmagem de A profecia, dirigido originalmente por Richard Donner. John Moore quis ser reverente demais com o filme original e acabou fazendo uma cópia desbotada e sem brilho. Lamentável.

A internet é uma grande arma de marketing que Hollywood aprendeu finalmente a usar a seu favor, no entanto, os efeitos colaterais são terríveis. Vejamos este Serpentes a bordo dirigido por David Elis e estrelado por um caricato, mas sempre competente Samuel L. Jackson. Este filme é um absurdo do começo ao fim. Tudo começa quando um rapaz testemunha um assassinato. O rapaz é visto e passa a ser perseguido pelos bandidos que querem mata-lo a qualquer preço. É aí então que entra em cena, Samuel L.Jackson, parodiando Shaft, e salva a testemunha e juntos embarcam num avião para Los Angeles. Tudo parece estar bem,mas de repente cobras e serpentes de todas as espécies começam a atacar todos os passageiros. A partir de então os absurdos tomam de conta da história e a correria começa e um a um ou aos pares vão sendo eliminados pelas serpentes venenosas. Pilotos mortos, passageiros em pânico e um avião prestes a cair. Daí até o final será muita adrenalina. O filme fez o maior sucesso,mas de tão ruim chega a ser bom. É trash puro,recheado de clichês e diálogos que parecem saídos da novela teen tipo Rebeldes ou Malhação. Assista,mas desligue o cérebro.

E para terminar esta parte dedicada aos piores do ano nos cinemas estão as produções Click (Frank Coraci) protagonizada pelo comediante Adam Sandler (eu chamei Sandler de comediante!) que divide a cena com a bela,mas pouco expressiva Kate Backinsale (Van Helsing, Pearl Harbor) . Sandler consegue um controle remoto que o faz voltar o tempo ou pará-lo e acaba usando o aparelho em proveito próprio. Comédia sem graça, mal dirigida e dispensável.

Exatamente como esta continuação intitulada Anjos da noite – a evolução dirigido por Len Wiseman,marido na vida real da protagonista do filme, Kate Backinsale (a mesma de Click) e Scott Speedman. Para ser sincero a tal evolução do subtítulo deve se referir aos milhões gastos nos efeitos especiais para mascarar a mediocridade da produção que sofre desde o primeiro filme,da síndrome de Matrix.

Nem piores e nem melhores – apenas filmes para passar o tempo

Mas muitos filmes que não podemos dizer que não são bons,no entanto não podemos afirmar que sejam ruins,ou seja,ficaram no meio termo. Alguns dos filmes que cito a seguir foram exibidos nos nossos cinemas, muitos deles fizeram sucesso,que não se explica,afinal de contas o público nem sempre está interessado numa boa história e sim em apenas num passatempo para se divertir durante uma hora e meia ou duas horas.

Muitos gostaram da versão para cinema da famosa série dos anos 80 Miami Vice que chega ao cinema pelas mãos de um velho conhecido, o diretor Anthony Mann, (o mesmo de Colateral e Fogo contra fogo). A versão Miami Vice dos anos 2006 traz os atores Collin Farrel, exagerando nos trejeitos e na cara de moço rebelde,mas sensível, e seu companheiro é James Fox, que depois do Oscar por Ray, não tem acertado a mão, serve apenas de escada para o estrelismo de Farrel. Pouca ação, imagem granulada,fotografia horrível, e interpretações pouco convincentes. Vale uma olhada.

Outra produção exibida no Cine Veneza foi A Dama na Água de M. Night Shyamalan, que ficou pouco tempo em cartaz.O filme está longe dos ótimos Sexto sentido e Corpo Fechado. Os filmes anteriores do diretor, Sinais e A Vila também não foram bem recebidos, mas sem dúvida ele ainda tem muito que dizer como cineasta.

Tom Cruise realmente não quer largar Ethan Hunt e junto com o seu novo queridinho J. J. Abrams barbarizam em Missão: Impossível III. O filme,que recebeu elogios até do exigente Rubens Ewald Filho, não tudo isso. Mas verdade seja dita – o filme é bem produzido,porém um fiapo de história não é o suficiente para fazer desta terceira seqüência um bom filme. Missão: Impossível III, apenas diverte. E só. Ao sairmos do cinema logo esquecemos o filme.

Outro campeão de vendas de ingressos foi o esperado e superestimado O Código Da Vinci de Ron Howard baseado no famoso livro homônimo que causou polêmica pelo seu conteúdo contestado pela igreja católica. Na verdade, o livro e o filme dele originado não passam de entretenimento que alguns levaram a sério demais. Claro que isso acabou por beneficiar a bilheteria desta superprodução protagonizada por Tom Hanks,que não estava nos seus melhores dias como ator. O filme de Ron Howard não passa de uma mera curiosidade bem produzida.

O Segredo de Brokeback Mountain de Ang Lee sofreu o boicote dos membros da academia ao perder o Oscar de melhor filme para Crash – no limite, não que este filme não seja melhor,mas o tema do primeiro influenciou os votos dos conservadores da academia. Brokeback Moutain é um filme bem feito, com interpretações acima da média dos dois atores que interpretam papéis difíceis e passivos de preconceitos. Na verdade, muito barulho por nada.

Outros filmes que podemos mencionar são - Memórias de uma Gueixa – Bob Marshall com Ziyi Zhang e Ken Watanabe; o filme catástrofe Poseidon Wolfgan Petersen; duas produções com Bruce Willis - 16 Quadras de Richard Donner e Xeque-Mate de Paul McGuigan e para finalizar esta parte, O Soldado anônimo terceiro longa-metragem de Sam Mendes (Beleza Americana e Estrada para a perdição).

Perdendo o bonde da história – Filmes que não veremos tão cedo a não ser em dvd?

007 – Cassino Royale de Martin Campbell com Daniel Craig assumindo o papel de James Bond. Campbell dirigiu Goldeneye e A máscara do Zorro); Filhos da esperança – Afonso Cuarón, com Clive Owen (Closer); Fonte da vida – Darren Aronofsky com Hugh Jackman e Raquel Weisz; O grande truque – Christopher Nolan (Amnésia/Batman Begins) com Hugh Jackman (X – Men) Christian Bale (Batman Begins); O ilusionista – Neil Burger com Edward Norton; Os Infiltrados – Martin Scorsese com Jack Nicholson, Leonardo Di Caprio,Matt Dillon; O labirinto de Fauno – Guilherme Del Toro – Blade 2 e Hellboy.; A Conquista da honra de Clint Estwood com Ryan Phillipp (Crash) e Adam Beach; Três enterros que marcou a estréia na direção de Tommy Lee Jones; Vôo United 93 de Peter Greengrass;; Ponto Final - Match Point – Woody Allen; Boa Noite e Boa Sorte de George Clooney estes últimos disponíveis em dvd.

Com vocês os melhores de 2006 – Pelo menos na minha humilde opinião

Existem filmes e filmes. E cada um tem a sua opinião sobre qual é o melhor,o pior, e assim por diante. A cada ano que passa fica mais difícil fazer estas escolhas sem cometer injustiças. Por isso dividi esta sessão em três blocos distintos como 01) filmes inesquecíveis; 02) Filmes importantes e 03) filmes divertidos.

03) Filmes divertidos. O critério que usei aqui foi bem simples. Nada impede que uma produção cheia de efeitos especiais não mereça respeito por parte dos críticos. Se os fãs gostam e por isso faz sucesso então quem sou eu para falar mal. Nesta lista relaciono:

X- Men - O Confronto Final de Bret Ratner que entrou no barco quando Brain Singer partiu para trazer de volta o Homem de Aço. Ratner conseguiu realizar um filme a altura dos anteriores reunindo antigos personagens e novos com maestria. X- Men O confronto Final segue a receita perfeita do ótimo entretenimento que reúne criatividade,qualidade, efeitos especiais sem esquecer da importância dos personagens. Como sempre o destaque vai para Ian Mckallen como Magneto e Hugh Jackman,perfeitamente à vontade como Wolverine.

Outros filmes que colocamos nesta lista é Superman - O Retorno dirigido com paixão por Bryan Singer. Talvez este excesso de paixão pelo personagem e pelo filme de Richard Donner Superman, o filme, tenham impedido que o jovem cineasta voasse mais alto. O filme tem cenas antológicas como o salvamento do avião, o tiro no olho, o vôo com Lois Lane, o salvamento no mar, mas dá escorregões como um roteiro pouco criativo e pouca ação. Fora isso, Superman, o retorno tem tudo para agradar, e mesmo não sendo o sucesso esperado de bilheteria em breve veremos uma continuação. Para o alto e avante!

E finalizando esta parte o campeão de bilheteria Piratas do Caribe: O Baú da Morte de Gore Verbinsck que reúne quase todo o elenco do primeiro filmes para dar continuidade às aventuras do pirata Jack Sparrow, sem sombra de dúvida continua sendo o melhor atrativo para o público. Excessos tiram um pouco o brilho desta seqüência que foi filmada junto com a terceira parte que deve estrear em 2007. Mesmo assim um dos melhores filmes de aventura do ano. Porém, o primeiro – Piratas do Caribe, a maldição do Pérola Negra continua imbatível.

02) Filmes importantes. Relacionei aqui quatro filmes feitos por cineastas que sempre têm algo a mais a contar para o espectador. E cada um deles conquistou merecidamente o seu público.

O polêmico Spike Lee brindou o público com o um filme onde nada parecer ser o que é. O Plano perfeito é uma mistura eficaz de roteiro criativo, elenco afiado e direção inspirada. Um dos melhores filmes do ano. Outra produção de destaque é o aclamado V de Vingança baseado na obra de Alan Moore e dirigido por James Mctiegue que traz no elenco à talentosa Nathalie Portman. V de Vingança é um soco no estomago.

Destacamos também o mais novo trabalho de Brian De Palma em Dália Negra, De Palma realiza aqui um noir em cores baseado em fatos reais. Ótima reconstituição de época e os preciosismos técnicos típicos do diretor. Pena que o filme ficou apenas uma semana em cartaz no Cine Veneza.

2006 foi o ano que dois cineastas, entre eles Peter Greengrass com Vôo United 93 (citado acima) e Oliver Stone com Torres Gêmeas tentaram recontar histórias trágicas do fatídico 11 de setembro. O primeiro não foi exibido em Porto Velho e tivemos de assistir em dvd, que por sinal demorou muito a chegar. Quanto ao segundo, ficou cerca de três semanas em cartaz, estreou no Cine Veneza e depois foi para o Cine Rio. O filme dividiu a crítica e o público. O que posso dizer sem me prolongar muito é que nem parece um filme de Oliver Stone, mas como sempre é latente a preocupação com os detalhes e o realismo. Um bom filme,mas que ás vezes resvala para a pieguice, sem no entanto prejudicar o desenvolvimento da história.

03) Filmes inesquecíveis. Todos os anos centenas de filmes são realizados. Muitos são exibidos nos cinemas e outros saem direto em dvd. Os cinco que relaciono abaixo foram exibidos no cinema e estão disponíveis em dvd. Estes filmes feitos por diretores com estilos diferentes formam o quinteto que reúne os melhores do ano.

Apesar de ser uma refilmagem de um clássico de 1933, o King Kong de Peter Jackson, o consagrado diretor da trilogia Senhor dos Anéis, é na verdade uma homenagem ao cinema e ao filme original dirigido por Merian C.Cooper. Tudo no filme de Jackson funciona. Os atores, os efeitos especiais a serviço da história e tudo mais. King Kong foi lançado em 2005,mas foi exibido em Porto Velho em 2006 alcançando grande sucesso.

O filme dirigido por Steven Spielberg, Munique, foi bastante criticado e também ignorado na entrega do último Oscar. Bobagens à parte, Munique figura entre os melhores filmes do cineasta que conta uma história forte com um realismo contundente. O elenco encabeçado por um surpreendente Eric Bana,dá conta do recado com profissionalismo,entre eles o ator Daniel Craig, o novo James Bond. Nesta lista de melhores de 2006, este filme não poderia ficar de fora.

Outro filme que pudemos assistir apenas em dvd foi o aclamado Crash – no limite, que com justiça ganhou o Oscar de Melhor filme de 2006. O filme dirigido por Paul Higgis, roteirista do também premiado Menina de ouro que ele roteirizou para Clint Eastwood dirigir. O filme traz um elenco de estrelas como Sandra Bullock e ótimas performances de Don Cheadle e Matt Dillon, realmente surpreendente como um policial racista. Crash mostra várias histórias, tipo Short Cuts – Cenas da vida de Robert Altman, envolvendo vários personagens que acabam se envolvendo em situações que os levam ao limite. Certamente um dos melhores filmes de 2006.

Depois de tanta conversa chegamos ao que interessa. Os filmes que relaciono a seguir foram para mim os melhores filmes do ano. Claro que os citados acima também fazem parte, mas estes dois são produções que mexeram, emocionaram, fizeram refletir. Certamente eles não foram campeões de bilheteria e não usam e nem abusam de efeitos especiais, no entanto, suas histórias e a forma como são contadas fizeram deles os campeões em minha opinião. São eles - Marcas da violência de David Cronemberg e O jardineiro fiel de Fernando Meirelles com Ralph Fienes e Raquel Weisz.

O filme dirigido por David Cronemberg mostra Viggo Mortensen (Senhor dos Anéis) como um pacato dono de uma lanchonete numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Um dia chegam dois homens armados que tentam assaltar o local,no entanto, a reação dele é fulminante e os dois bandidos acabam mortos. A partir deste incidente seu verdadeiro passado vem à tona.

Ainda no elenco, Maria Bello, que protagoniza duas ótimas e realistas cenas de sexo com Mortessen; Ed Harris como um assassino profissional numa caracterização sinistra. Isso sem falar na participação especial de Willam Hurt, realmente impagável. Marcas da violência é um filme que faz refletir. Um soco no estômago. Dói na hora,mas serve para você pensar um pouco sobre o quanto a vida é frágil.

Quanto a estréia internacional do cineasta brasileiro Fernando Meirelles com o excelente O Jardineiro fiel, baseado no livro do escritor John Le Carré e tendo no elenco Ralph Fienes numa interpretação contida, mas impactante, e a ganhadora do Oscar de Melhor atriz do Oscar 2006, a talentosa Raquel Weisz, que graças a sua atuação deixa de ser conhecida apenas pelo seu papel no divertido A Múmia e em sua continuação. Em o Jardineiro Fiel, ela interpreta um ativista que desaparece. Primeiro querem fazer crer que ela fora morta por um amante,mas o marida dela,vivido por Fienes parte em busca da verdade. Verdade esta que lhe custara a vida também.

Depois do sucesso de Cidade de Deus muitos acharam que fora um golpe de sorte de Meirelles. Com O Jardineiro fiel ele mostrou que veio para ficar e provou seu talento.
Humberto Oliveira
A MENSAGEM

Roteiro de Humberto Oliveira

ENQUANTO ARNALDO E RITA SÃO MOSTRADOS, ELE FOTOGRAFANDO E ELA NO BANHO, APARECEM O TÍTULO E CRÉDITOS DO VÍDEO.

CENA DE ABERTURA E APRESENTAÇÃO. EXT. – VÁRIOS LUGARES/DIA E INT. - BANHEIRO/DIA.

ABRE A IMAGEM MOSTRANDO RITA LIGANDO SEU APARELHO DE SOM, QUE TOCA UMA MÚSICA NA VOZ DE ROBERTO CARLOS, EM SEGUIDA ELA ENTRA NO BANHEIRO PARA TOMAR BANHO. (NOME DA ATRIZ) CORTA PARA ARNALDO FOTOGRAFANDO A ESTRADA DE FERRO MADEIRA MAMORÉ (NOME DO ATOR).

CORTA PARA: RITA QUE CANTA DEBAIXO DO CHUVEIRO.

CORTA PARA: ARNALDO FOTOGRAFANDO O RIO MADEIRA.

CORTA PARA RITA LAVANDO OS CABELOS.

CORTA PARA: ARNALDO GUARDANDO SEU EQUIPAMENTO NO CARRO. CELULAR COMEÇA A TOCAR NO MOMENTO EXATO QUE ARNALDO COLOCA O CINTO DE SEGURANÇA.

CORTA PARA: RITA QUE ESTÁ SE ENXUGANDO. CORTA PARA ARNALDO VENDO QUE RECEBEU UMA MENSAGEM EM SEU CELULAR.

CORTA PARA RITA ENROLADA NA TOALHA.

CORTA PARA ARNALDO LENDO A MENSAGEM. (TÍTULO DO VÍDEO) - A MENSAGEM

CORTA PARA TELA DIVIDIDA MOSTRANDO RITA E ARNALDO SIMULTANEAMENTE, CADA UM NO SEU AMBIENTE.

RITA SAINDO DO BANHEIRO, ARNALDO CHEGANDO DE CARRO, RITA ENTRANDO NO QUARTO, ARNALDO ESTACIONANDO, RITA DEIXANDO A TOALHA CAIR, ARNALDO SAINDO DO CARRO, RITA VESTIDA CONTINUA CANTANDO DIANTE DO ESPELHO, ARNALDO ABRINDO A PORTA, RITA PENTEANDO OS CABELOS, ARNALDO ENTRANDO EM CASA E FECHANDO A PORTA. RITA FINALMENTE PRONTA.

IMAGEM ESCURECE.

MÚSICA DE ROBERTO CARLOS.

RETORNA IMAGEM.

CENA 02/ QUARTO/ INT. /DIA.

PLANO DE DETALHE MOSTRANDO MÃO DE RITA QUE DESLIGA O APARELHO DE SOM.

CORTA PARA PLANO ABERTO MOSTRANDO RITA SAINDO DO QUARTO.

CÂMERA ACOMPANHA RITA ATÉ A COZINHA.

CENA 03/COZINHA/INT./DIA.

PONTO DE VISTA DA CÂMERA MOSTRA ARNALDO DE COSTAS, PORTA DA GELADEIRA ABERTA E TOMANDO ÁGUA NO GARGALO DA GARRAFA.

CORTA PARA RITA QUE FALA:

RITA – Faz tempo que você chegou?

PLANO DE ARNALDO, QUE APENAS OLHA PARA RITA, SORRI, COLOCA A GARRAFA SOBRE A MESA E SENTA DE COSTAS PARA MULHER, QUE SE APROXIMA FALANDO:

RITA (Colocando as mãos na cintura e ficando atrás de Arnaldo) – Podia ao menos responder!

ARNALDO APENAS BALANÇA A CABEÇA POSITIVAMENTE. RITA CONTINUA ATRÁS DELE, SÓ QUE AGORA MAIS PERTO. A CÂMERA FOCALIZA RITA E ENQUANTO ELA FALA, A CÂMERA FAZ MOVIMENTO VERTICAL PARA BAIXO PARA MOSTRAR ARNALDO.

RITA – (Aborrecida) - Quantas vezes eu tenho que falar que não é pra beber água na boca da garrafa. Parece criança.

CÂMERA ACOMPANHA RITA VINDO SENTAR E FICAR DE FRENTE PARA ARNALDO. ELE CONTINUA EM SILÊNCIO E BRINCANDO COM O CELULAR.

RITA - Ih! Já vi que o dia não foi bom. Você tá com uma cara...(Mudando de tom) - Eu já não avisei que não gosto que você faça isso?

ARNALDO – (Olhando para Rita e ao mesmo tempo brincando com o celular) - Cê lembra do Cláudio?

RITA PEGA A GARRAFA E COLOCA DE VOLTA NA GELADEIRA. ELA AGORA ESTÁ DE COSTAS PARA ARNALDO.

RITA – (De forma casual e indiferente) – Cláudio? Que Cláudio?

ARNALDO – (Agora virando para Rita) - Ora, que Cláudio?

RITA – (Agora ficando de frente para Roberto e se aproximando da mesa) – Você chega, eu falo e você não responde e ainda vem falar de um tal de Cláudio e se espanta quando eu pergunto “que Cláudio?” Fala logo. Quem é esse tal de Cláudio?

ARNALDO - (Ainda sentado) – Ele teve aqui em casa um dia desses! (Com entusiasmo) - Naquele churrasco que a gente fez pra comemorar o nosso aniversário de casamento...

RITA - (De cara séria) – Ah, aquele que ficou contando aquelas piadinhas sem graça? Agora lembrei. Não fui muito com a cara dele. Achei o sujeito muito debochado! (Bebe um gole de café) – Eu não queria te falar pôr que é teu amigo, mas...(Se aproximando do marido e segurando seu rosto para que ele preste atenção) Escuta que eu vou te pedir um favor. Você não me traga mais esse tal de Cláudio aqui em casa. É só o que eu te peço.

ARNALDO – Só você que não gostou. Todo mundo que tava aqui adorou o cara. Boa praça e as suas irmãs ficaram ai e deram a maior bola pra ele.

RITA – Só você mesmo pra trazer um cara como aquele pra dentro da nossa casa! E digo mais...O mau gosto das minhas irmãs é impressionante! (Ela suspira) – Gosto não se discute, lamenta-se.

ARNALDO – Se você soubesse o que aconteceu não ficava aí falando desse jeito...

RITA - (Interrompe) – Já sei o tal foi preso e no mínimo ligou pra você. Tava na cara que um dia isso iria acontecer! Escuta o que tua mulher tá falando...

ARNALDO – (Sério) – Ele morreu.

RITA – (Como se não tivesse ouvido o que Arnaldo falou) – Desapareceu? Que nada...Deve tá é na farra! Encheu a cara e deve tá por ai...


ARNALDO – (Repete com um pouco de frieza na voz) – Presta atenção...Eu disse que ele morreu!

RITA – (Solta a xícara sobre a pia) – Como assim... Morreu...Você sabe que eu não gosto desse tipo de brincadeira.

ARNALDO – (Levantando e indo até a geladeira, abre e parece procurar alguma coisa. Ele parece sumir atrás da porta) – Atropelado. Agora de manhã. (Aparece e fala olhando sobre a porta) - Vinha atravessando a rua quando veio um carro em alta velocidade e... (Faz um barulho característico e fecha a porta da geladeira) – Pimba!

RITA - (Não consegue ficar de frente para Roberto) – Atropelado!

ARNALDO – (Num misto de frieza e ironia canalha) – Atropelado. A coisa mais natural do mundo. O cara foi jogado longe. E o motorista nem parou pra socorrer! Também o trânsito nessa cidade é uma merda e pior que fiscalização...

RITA – (Virando-se com grande dificuldade, ela encara Arnaldo) – Mas... Alguém deve ter socorrido!

ARNALDO - (Caminhando na direção da sala) – Pra que se ele morreu na hora. O máximo que podiam fazer era acender uma vela pro finado.

CENA 04/SALA/INT./DIA

RITA DESORIENTADA SAI DA COZINHA E VAI DIRETO PARA A SALA. ELA PEGA O TELEFONE E COMEÇA A DISCAR, MAS ARNALDO CHEGA ATRÁS DELA. RITA DESISTE E COLOCA O FONE NO GANCHO.

ARNALDO (Fingindo curiosidade) – Tava ligando pra quem?

RITA – (Ela tenta disfarçar a ansiedade) – Para ninguém...Uma amiga da Avon ficou de passar aqui hoje e até agora...(Mudando de assunto abruptamente) - Você viu o corpo? Viu?

ARNALDO - (Procura um cigarro e acende) – Escuta. O cara era meu amigo, mas eu não sou chegado a esse negócio de ver defunto. Mas não tem dúvida não, era mesmo o Cláudio. Reconheceram pôr causa de uma gravata que ele tava usando. Dizem até que foi de uma dona casada que ele tava traçando. Vai ver foi o marido de uma das amantes dele descobriu e...

RITA – (Patética) – Amantes? Marido? Que marido?

ARNALDO – (Sorrindo sarcástico) – Pra mim foi isso. O Cláudio tava filando a mulher de alguém, o cara descobriu e jogou o carro em cima pra se vingar.

RITA – (Começando a perder o controle) – Não pode ser! Não pode ser!

ARNALDO – (Dá uma tragada e olha para esposa) – Minha filha... Pode ser sim! Todo mundo morre.

RITA - (Começa a passar as mãos na cabeça, assanhando seus cabelos) – O Cláudio, não! Ele não meu Deus...Ele não...Nunca...O meu amor nunca...Nunca!

ARNALDO - (Dando mais uma tragada no seu cigarro) – Posso saber que história é essa de “meu amor?”.

RITA – (Chorando e rindo ao mesmo tempo) – O meu amor! O Cláudio. Você tá mentindo...Ele não tá morto! Diz pra mim que é mentira...Diz...

ARNALDO – (Já demonstrando uma pequena irritação com o escândalo que a mulher estava fazendo) – Escuta aqui mulher. Tu tá ficando doida? Tá?

RITA – (Eufórica) – Pois eu sou louca mesmo. Louca pôr aquele homem. Louca de desejo...De tesão...

ARNALDO – (Segura a mulher pelos braços) – Cala boca porra...Se não...

RITA – (Solta-se do marido e passa a desafiá-lo) – Se não o que? Vai me bater? Pois bate...Bate...

ARNALDO – (Com raiva, mas tentando falar baixo) – E ainda tem coragem pra me enfrentar assim. Fala baixo caralho, que daqui a pouco tá cheio de vizinho ai na porta pra saber o que tá acontecendo. Chega. Cala a boca!


RITA – (Empurrando o marido e indo à direção da janela ou porta e gritando) – Você não é homem...Corno...E acha que pode esconder de todo mundo? Todo mundo tá sabendo...

ARNALDO – (Puxando a mulher para perto dele) – Muito bonito!

RITA – (Mais uma vez tenta ligar, mas agora Arnaldo a impede) – Me deixa em paz seu merda.

ARNALDO – (Afastando a mulher do telefone e encostando-a contra a parede) – Então quer dizer que o cara é um chato! Que você não ia com a cara dele! Ele vem aqui fila a bóia, a fila a minha mulher e você na maior cara de pau fazendo de conta que não lembrava dele! Só falta agora dizer que vai se vestir de preto e dar uma de viúva! (Gritando) – A minha mulher ficou viúva do amante!

RITA - (Desafiadora) – Quer saber? Eu vou lá no velório dele. Vou sim senhor. Vou pôr que eu sou mais viúva do que a besta da mulher dele. Entendeu. E tem mais. Se você pensa que vai me impedir, está muito enganado.

ARNALDO – (Com ironia) – Quero só ver até onde vai o teu cinismo.

RITA – (Tentando controlar as lágrimas) – Ele era muito mais homem que você.

ARNALDO – (Começa a aplaudir) – Acabou o seu showzinho?

RITA – (Olhando com raiva para Arnaldo) – A culpa é toda sua!

ARNALDO – (Solta uma gostosa gargalhada) – Ah, era o que faltava. Você trepa com outro e ainda tem a coragem de dizer que a culpa é minha! (Põe a mão no bolso da calça e retira o celular e mostra para Rita) – Pega!

RITA – (Ela olha com indiferença para o aparelho) - Que é isso? Não tô mais a fim de ligar.

ARNALDO – (Insistindo) – Não é pra ligar, é pra ler a mensagem. Leia que você vai saber.

RITA – (Ela dá as costas para Roberto) – Seja o que for não me interessa. Me deixa...

ARNALDO – (Agressivamente pega o celular e o coloca na palma da mão de Rita) – Interessa sim. Leia. Tenho certeza que você vai gostar.

RITA – (Começa a ler a mensagem em voz alta) – “CHEGANDO EM CASA, DIZ PRA TUA MULHER QUE O CLÁUDIO MORREU, PRA VER A REAÇÃO DELA” (Rita olha aturdida o celular em suas mãos e olha para Roberto, que se aproxima dela) – Quer dizer que ele não morreu!

ARNALDO – (Com violência toma o aparelho da mão de Rita) – O teu amante tá muito vivo!

RITA – (Com alegria súbita) – O Cláudio tá vivo! O meu amor não morreu!

ARNALDO – (Dando um tapa no rosto de Rita) – Não vai soltando foguete não!

RITA – (Mais uma vez enfrenta o marido) – Bate covarde! BATE (Ela grita) – Você pode até me matar que não muda o que aconteceu! (Arnaldo segura Rita e aplica mais um tapa em seu rosto. Rita quase cai, mas Arnaldo a segura) – Ele é muito mais homem que você. (Arnaldo ainda mais furioso empurra Rita que quase perde o equilíbrio e cai, no entanto no último instante consegue se segurar num móvel) – Filho da puta...

ARNALDO CAMINHA EM SUA DIREÇÃO, MAS RITA SABENDO DO PERIGO QUE AQUILO REPRESENTA, FOGE NA DIREÇÃO DO QUARTO E TENTA TRANCAR A PORTA. ARNALDO CORRE E CONSEGUE SEGURAR A PORTA, IMPEDINDO QUE RITA A FECHE. COM VIOLÊNCIA ARNALDO EMPURRA A PORTA E AGARRA RITA, JOGANDO-A SOBRE A CAMA. RITA TENTA SE DESVENCILHAR, PORÉM O MARIDO É MAIS FORTE. ARNALDO COMEÇA A ESTRANGULAR SUA MULHER. NESTE MOMENTO A CÂMERA FAZ UM GIRO E É MOSTRADA APENAS A SOMBRA DOS DOIS NA PAREDE. ALGUNS SEGUNDOS SE PASSAM. OUVE-SE APENAS O BARULHO DAS BATIDAS DE UM CORAÇÃO QUE POUCO A POUCO VAI PARANDO. CORTE ABRUPTO PARA PLANO DE DETALHE DOS OLHOS DE ARNALDO, QUE ABREM REPENTINAMENTE. OUTRO CORTE E AGORA VEMOS QUE ELE ESTÁ EM SUA CAMA. A CÂMERA SAI DO SEU ROSTO E FAZ UM PASSEIO MOSTRANDO QUE RITA DORME SERENAMENTE AO SEU LADO. NOVO CORTE MOSTRANDO ARNALDO SENTADO NA CAMA.

CENA 05/QUARTO/BANHEIRO/INT/NOITE

ELE OLHA PARA RITA, PASSA A MÃO NO ROSTO SUADO E LEVANTA-SE. ARNALDO VAI ATÉ O BANHEIRO. ELE URINA, LAVA AS MÃOS, DEPOIS LAVA O ROSTO. IMAGEM DE ARNALDO REFLETIDA NO ESPELHO. ELE FICA SÉRIO E DEPOIS SORRI. NESTE INSTANTE O CELULAR COMEÇA A TOCAR. ARNALDO OLHA SEU RELÓGIO, QUE MARCA DEZ PARA AS SEIS DA MANHÃ. O TOQUE DO CELULAR INSISTE.

CENA 06/BANHEIRO/SALA/ INT/ NOITE

ARNALDO SE ARRASTA ATÉ A SALA, ONDE DEIXARA O CELULAR SOBRE UM MÓVEL. ELE PEGA O CELULAR E PERCEBE QUE RECEBEU UMA MENSAGEM. ESTÁ CURIOSO – (Entra voz off de Arnaldo) – Mensagem seis horas da manhã é dose...Mais tarde eu leio - ELE COÇA A CABEÇA, BOCEJA, COÇA O SACO, JOGA O CELULAR SOBRE O MESMO MÓVEL E SAI DA SALA. CÂMERA FAZ UM MOVIMENTO DE APROXIMAÇÃO NUM PLANO DE DETALHE DO CELULAR. ARNALDO VOLTA E PEGA O CELULAR PARA LER A MENSAGEM, MAIS POR CURIOSIDADE PRA SABER QUEM MANDOU. PLANO FECHADO NO APARELHO E ACOMPANHANDO TODO O PROCESSO DE ACESSAR O MENU DE MENSAGEM DO CELULAR. CORTA PARA PLANO DO ROSTO DE ARNALDO. CORTA PARA PLANO DA MÃO DELE. CLOSE DO VISOR DO CELULAR, ONDE ELE LÊ (Voz off de Arnaldo mais uma vez) - “DIZ PRA TUA MULHER QUE O CLÁUDIO MORREU PRA VER A REAÇÃO DELA. UM AMIGO”. ARNALDO LÊ AQUILO E SEU CORAÇÃO COMEÇA A BATER MAIS RÁPIDO. ARNALDO ABAIXA A MÃO A CÂMERA ACOMPANHA. CORTA PARA PLANO DE BAIXO PARA CIMA. ARNALDO COMEÇA A DISCAR UM NÚMERO, DEPOIS COLOCA O CELULAR PRÓXIMO DA BOCA. DEMORA, MAS ALGUÉM FINALMENTE ATENDE. ARNALDO FALA AO TELEFONE:

ARNALDO – (Frio e calmo) – Alô! É o Arnaldo...Acordei você? Desculpa Cláudio...Não aconteceu nada, não...Tá tudo bem. Escuta liguei pra saber se você aceita almoçar com a gente mais tarde. Isso, lá pra uma da tarde...Surpresa. O cardápio é surpresa. Então combinado? Uma da tarde aqui em casa. Desculpa mais uma vez. Tchau. Qualquer coisa manda uma “mensagem”...

ARNALDO DESLIGA O CELULAR E O COLOCA DE VOLTA SOBRE O MÓVEL. CAMINHA NA DIREÇÃO DO QUARTO. NESTE MOMENTO É MOSTRADO O PONTO DE VISTA DA CÂMERA (Subjetiva).

CENA 07/QUARTO/INT/NOITE

PORTA ENTRE ABERTA, A CÂMERA MOSTRA RITA DEITADA NA CAMA DORMINDO. ARNALDO ENTRA, OBSERVA UM POUCO SUA MULHER, EM SEGUIDA LIGA O APARELHO DE CD. A MÚSCA “A DESPEDIDA” COMEÇA A TOCAR. ARNALDO NÃO TEM PRESSA E LENTAMENTE FECHA A PORTA. ENQUANTO A IMAGEM SE APAGA, OUVE-SE APENAS AS BATIDAS DO SEU CORAÇÃO, CADA VEZ MAIS FORTE E O SOM DA MÚSICA.

ESCURECIMENTO. CONTINUA MÚSICA DO ROBERTO.

ENTRA CARTELA COM OS DIZERES: NAQUELA TARDE ÀS 14 HORAS NA LOJA DE CELULARES...

CENA 08 – LOJA DE CELULARES/INT/DIA.

LOJA DE CELULAR ONDE ARNALDO TRABALHA. DOIS FUNCIONÁRIOS CONVERSAM ANIMADAMENTE E PLANEJAM PREGAR UMA PEÇA EM ARNALDO.

FUNCIONÁRIO O1 – (Rindo) Será que ele recebeu a mensagem?

FUNCIONÁRIO 02 - Acho que sim.

FUNCIONÁRIO 01 – Espero que não fique zangado com a gente.

FUNCIONÁRIO 02 – Que nada, não existe sujeito mais tranqüilo que o Arnaldo.

FUNCIONÁRIO 01 – Eu não ia gostar nem um pouco de receber uma mensagem dessas!

FUNCIONÁRIO 02 – Ele confia tanto na Rita que ele vai é mostrar pra ela e dar umas risadas e queimar a mufa pra descobrir quem mandou a mensagem.

FUNCIONÁRIO 01 – Se ele não gostar? Pior, se ele descobrir que foi a gente?

FUNCIONÁRIO 02 – Gostar, não vai mesmo, agora descobrir quem foi, isso ele não vai é nunca!

CENA 09 – FRENTE DA LOJA/EXT/DIA

CÂMERA ACOMPANHA OS DOIS SAINDO DA LOJA E CADA UM INDO NUMA DIREÇÃO.

ESCURECIMENTO GRADATIVO DA TELA. MÚSICA DE ROBERTO E ERASMO CARLOS.


FIM